Fazenda Guima Café (Varjão de Minas)- Imagem Folha Uol
O que é agricultura regenerativa?
Agricultura regenerativa é um modelo agrícola que defende que a possibilidade de produzir enquanto se recupera a terra e se preserva o meio ambiente, restaurando áreas degradadas, conservando espécies animais e aumentando a captura de carbono no solo.
Ela é vista como o caminho para a redução dos impactos ambientais e considerada a técnica do futuro para o agronegócio. Ao mesmo tempo, ela nos leva de volta ao passado, utilizando recursos que nossos antepassados conheciam muito bem, mas somados às tecnologias atuais. Falamos da agricultura regenerativa, uma prática que já vem sendo utilizada pelos produtores de café do município de Divinolândia e região.
Uma das grandes vantagens da agricultura regenerativa é a possibilidade de reduzir a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE). Já existem vários cases de sucesso no Brasil, não apenas na agricultura como também na pecuária. A técnica surgiu nos anos 1980 e consiste em unir as melhores práticas baseadas na natureza ao conhecimento científico. De modo bastante resumido, a agricultura regenerativa segue cinco princípios básicos: preservar e tornar fértil o solo; aumentar a infiltração de água; aumentar a preservação da biodiversidade; aumentar a capacidade de sequestro e estoque de carbono no solo; e produzir alimentos que ofereçam segurança alimentar e contemplem requisitos socioeconômicos satisfatórios.

(Foto: Freepik)
Criada nos anos de 1980, a agricultura regenerativa vem ganhando cada vez mais destaque entre as gigantes produtoras de alimentos no mundo, como Nestlé, PepsiCo e Danone.
O conceito, criado pelo agricultor americano Robert Rodale, aposta em uma abordagem holística na produção agrícola, resgatando princípios conservacionistas do início da agricultura orgânica.
Não há uma definição aceita por unanimidade. Mas, em resumo, a agricultura regenerativa defende que é possível produzir enquanto se recupera a terra e se preserva o meio ambiente, restaurando o solo degradado, conservando espécies polinizadoras (especialmente abelhas), aumentando a captura de carbono e a retenção de água no solo.
Foto Portal Fruticola
Entre as principais características do modelo estão:
- Adotar a rotação de culturas;
- Inserir plantas de cobertura;
- Reduzir o arado no solo;
- Manter o desenvolvimento de outras plantas na pastagem;
- Diminuir uso de fertilizantes e defensivos;
- Promover o bem-estar animal;
- Incentivar práticas justas de trabalho para os agricultores
Práticas sustentáveis no Brasil
Muitas destas técnicas já são amplamente utilizadas pelo agronegócio brasileiro, como o plantio direto, que preconiza o mínimo revolvimento da terra, a cobertura do solo com palhada e a rotação de culturas.
Estima-se que o Brasil tenha 22 milhões de hectares com o sistema plantio direto, segundo a Federação Brasileira de Plantio Direto. E até 2030, esse número pode passar de 50 milhões.
Segundo o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Nobre afirmou nesta sexta-feira (29), em entrevista à CNN, que uma agricultura regenerativa protegeria a cultura agrícola do Brasil.Em meio ao aumento de gases de efeito estufa no Brasil e o debate sobre o meio-ambiente que antecede a COP26, o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Nobre afirmou nesta sexta-feira (29), em entrevista à CNN, que agricultura regenerativa protegeria a cultura agrícola do Brasil.
“A agricultura regenerativa é quando você tem uma cultura agrícola cercada por regeneração do bioma natural, ou seja, florestas, Mata Atlântica e cerrado. Então, essa é a agricultura do século 21. Infelizmente, no Brasil, nós temos 5% de agronegócio moderno. O resto ainda é um agronegócio expansionista, que é o que acontece na Amazônia e no cerrado. Nós temos que adotar o agronegócio do século 21, que faz muito bem para proteger a cultura agrícola. Esse é o caminho que o Brasil tem que tomar”, afirmou o pesquisador.
O pesquisador afirma ainda disse que o Brasil poderia se tornar a primeira potência em sociobiodiversidade, caso houvesse investimento em ciência e tecnologia moderna para a agricultura.
“A floresta tem milhares de produtos, e ciência e tecnologia moderna podem explorar muito mais o potencial da biodiversidade, por exemplo, para fármacos. O Brasil precisaria investir muito mais nisso e, assim, poderia se tornar a primeira potência da sociobiodiversidade”, completou Nobre.

Imagem Syngenta/Divulgação
Modelo também é adotado na pecuária leiteira
A francesa Danone, uma das líderes mundiais na produção de bebidas lácteas, vem reforçando suas políticas em relação à agricultura regenerativa, em especial, ao bem-estar animal da sua cadeia de fornecedores.

Imagem Negócio Rural
A ambição da Danone é obter 100% dos ingredientes produzidos na França a partir da agricultura regenerativa até 2025.
No Brasil, a companhia anunciou, no ano passado, que vai aumentar seu investimento em projetos de agricultura regenerativa.
A empresa se comprometeu a expandir de 3 para 188 hectares nos próximos anos, as áreas que adotam essas práticas sustentáveis e de bem-estar animal.
A inciativa responsável por esta expansão é o Projeto Flora, que propõe aos produtores de leite a adoção da integração entre pecuária e floresta. O objetivo é reter carbono no solo com o plantio de diversas espécies arbóreas e, consequentemente, aumentar o bem-estar dos animais.
“A Danone sabe a importância que práticas de agricultura regenerativa tem para a agropecuária brasileira e reconhece que a indústria tem um papel fundamental no incentivo à difusão dessas práticas para que os benefícios por elas trazidos possam acontecer o mais rápido possível”, destaca Luisa Silveira, Gerente de Projetos de Sustentabilidade e Inovação da empresa.
Segundo a companhia, fazendas leiteiras com melhores padrões de bem-estar animal apresentam produção e qualidade de leite significativamente mais altas.
Ao longo das últimas décadas, a PepsiCo também vem realizando uma série de investimentos com o objetivo de tornar suas práticas agrícolas cada vez mais sustentáveis.
Segundo a companhia, os snacks de batatas do portfólio da PepsiCo são fabricados com 100% de suas batatas produzidas de forma sustentável.
Todos os fornecedores brasileiros do tubérculo cumprem cerca de 175 requisitos do Programa de Agricultura Sustentável, que segue rigorosos padrões internacionais sobre práticas sustentáveis no campo, por meio dos pilares de cuidado ambiental, econômico e social.
São compradas por ano 122 mil toneladas do tubérculo, provenientes de produtores de 6 estados brasileiros, Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
“É urgente o compromisso de grandes players como a PepsiCo para uma mudança efetiva nas práticas nos campos, garantindo um equilíbrio cada vez maior entre a produtividade e a sustentabilidade”, diz o presidente da PepsiCo Brasil Alimentos, Alexandre Carreteiro.
“Por meio do nosso Programa de Agricultura Sustentável (SFP), que já existe há anos, trabalhamos com agricultores em todo o mundo para implementar e escalar uma série de práticas agrícolas sustentáveis e regenerativas”, conclui.
A companhia tem como objetivo atingir 100% de suas matérias-primas produzidas de forma sustentável até 2030 e ampliar para 7 milhões de acres (área que corresponde a 2,83 milhões de hectares, ou aproximadamente 4 milhões de campos de futebol) sua área de cultivo de safras e matérias-primas com práticas de agricultura regenerativa em todo o mundo.
Proteção do solo e uso eficiente da água

Imagem Blog do Ciclo Orgânico
O Grupo Dzierwa, de Contenda, Paraná, planta batata com a PepsiCo há 3 gerações. É o produtor parceiro mais antigo da companhia, e utiliza um software de inteligência artificial para registrar por foto a incidência de pragas e doenças.
“Somos pioneiros na aplicação de novas tecnologias no cultivo de batata no Brasil e com essa parceria com a PepsiCo chegamos a um produto de melhor qualidade para a indústria e para o consumidor final”, conta o produtor e agrônomo, Alexandre Dzierwa, que é a terceira geração da família no cultivo da batata.
“O que fazemos aqui impacta muitos outros produtores e gera melhores e mais sustentáveis práticas para toda a cadeia”, completa.
A partir de todas estas boas práticas e do uso da tecnologia, a PepsiCo obteve um aumento de 30 a 37% de produtividade por hectare e uma redução em 25% de custo por tonelada produzida.
Em 2018, a companhia teve a iniciativa de medir a quantidade de água limpa e potável usada das estações de beneficiamento que lavam as batatas, para reduzir o desperdício. O resultado foi a redução de 60% do uso de água limpa, que representa cerca de 50 milhões de litros de água desde o início do projeto.
Também foram realizados investimentos por parte dos produtores desse segmento para reduzir o uso de água limpa da natureza, tais como armazenar água de chuva, usar aspersores pressurizados, e criar um circuito fechado por tanques de decantação, reciclando a água de forma natural.
Pensando na regeneração do solo, os produtores parceiros no Brasil também vêm utilizando plantas forrageiras e a rotação de cultura na produção de batata.
“A Pepsico está trabalhando fortemente para a redução de emissões de carbono na agricultura. São também utilizadas diversas técnicas para restaurar e devolver vida a diferentes tipos de solos, como manter o solo com uma cobertura vegetal na entressafra, evitando erosão”, disse a empresa em comunicado à imprensa.
A companhia tem a meta de reduzir em mais de 40% as emissões absolutas de GEE (gases do efeito estufa) em toda a cadeia de valor até 2030.
Fonte CNN Brasil e CI. ORGÂNICOS – Centro de Inteligência
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