O que no ano passado começou em sete centros socioeducativos, com salas ocupadas por rap, grafite, fotografia, capoeira e poesia, agora ganha escala e fôlego de política pública. A parceria entre a Fundação CASA e as Fábricas de Cultura, iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, foi ampliada e passa a levar uma programação estruturada e qualificada para 71 centros socioeducativos em todo o Estado.
A expansão marca um novo momento de um trabalho que já havia começado em julho de 2025, quando o programa passou a integrar a rotina de adolescentes em medida socioeducativa em unidades da capital e da Região Metropolitana. Naquela primeira etapa, a proposta previa ao menos 32 cursos ao longo de um ano, totalizando 320 vagas e cerca de 980 atendimentos, com atividades em sete centros: Governador Mário Covas, Bela Vista, Ônix, São Paulo, Osasco I, Osasco II e Diadema.
Agora, a experiência deixa de ser localizada e passa a alcançar as quatro divisões regionais da Fundação CASA, com investimento total de R$ 5,25 milhões, sendo R$ 2,62 milhões aportados pela Fundação CASA e R$ 2,62 milhões pela Secretaria da Cultura. O recurso garantirá uma programação contínua dentro das unidades, com 155 turmas simultâneas trimestrais, de até 15 adolescentes cada, o que representa 2.325 vagas por trimestre e projeção de até 9.300 vagas até o fim da parceria, em 31 de dezembro de 2026.
Na prática, a ampliação significa que mais adolescentes passarão a conviver, dentro da rotina socioeducativa, com experiências de criação e expressão em diferentes linguagens. As oficinas incluem teatro, dança, artes visuais, literatura, escrita criativa e slam, circo social, capoeira, yoga, fotografia, audiovisual, produção cultural, produção de conteúdo digital com óculos 3D e introdução à inteligência artificial criativa, além de temas como comunicação não violenta, cultura, sociedade e direitos.
O programa será executado no contraturno escolar, com coordenação pedagógica da Organização Social POIESIS. A proposta é que a cultura esteja menos associada a ações pontuais e mais presente como linguagem cotidiana de formação, convivência e descoberta. Em vez de aparecer apenas em eventos isolados, ela passa a ocupar lugar fixo na semana dos adolescentes: no texto escrito em uma oficina de slam, no exercício corporal da capoeira, no primeiro roteiro audiovisual, na cena de teatro ensaiada no pátio ou no desenho que deixa de ser rabisco para virar projeto.
Durante o lançamento da primeira etapa, em 2025, a secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, Marília Marton, já havia apontado o sentido dessa presença artística dentro da socioeducação. “A força real desta entrega está no significado e no simbolismo desse local. Mais de duas décadas depois, o Governo de São Paulo dá um passo corajoso de urbanismo social e ressignificação. Fazer esse anúncio nos conecta diretamente com o futuro. Estamos desenhando um projeto arquitetônico e cultural de altíssimo nível para o centro de São Paulo, preparando a EMESP para celebrar os seus 40 anos em 2029 com a estrutura que nossos milhares de alunos e novos talentos merecem”, afirmou.
Do lado da Justiça e da socioeducação, a ampliação da parceria fortalece uma visão de política pública integrada, em que cultura, responsabilização e projeto de vida caminham juntas. “Levar cultura para dentro da Fundação CASA é também fazer Justiça. Quando o adolescente encontra espaço para criar e aprender, ele passa a enxergar caminhos que não tinha antes”, afirma o secretário da Justiça e Cidadania, Arthur Lima.
Antes mesmo de ser firmada, a trajetória da parceria já vinha sendo desenhada por experiências bem-sucedidas. No ano passado, dois adolescentes do CASA Guayi, em Guarulhos, venceram o concurso de redação “Minha Penny Lane”, inspirado na música homônima composta por Paul McCartney e eternizada pelos Beatles. A ação, promovida pela Fundação CASA já contexto das Fábricas de Cultura, resultou na gravação da canção autoral “My Street Vilão” em um estúdio profissional das Fábricas de Cultura. O caso ajudou a mostrar, ainda em 2025, que a arte podia ser mais do que atividade complementar: podia ser caminho de expressão, autoestima e reconstrução de projetos de vida.
A ampliação anunciada agora também dialoga com outro marco importante: os 30 anos de atuação contínua do Projeto Guri dentro das unidades da Fundação CASA, reafirmando a música e as artes como ferramentas de transformação social. Somadas, essas iniciativas ajudam a consolidar uma mudança de tom dentro dos centros: menos improviso, mais permanência; menos ação episódica, mais política pública; menos silêncio, mais voz.
Nesse novo capítulo, a Fundação CASA deixa claro que a cultura não entra nas unidades como enfeite, mas como linguagem capaz de abrir espaço para imaginação, repertório e pertencimento. Quando um adolescente escreve, dança, encena, fotografa ou grava, ele não está apenas ocupando o tempo: está experimentando outras formas de existir e de ser visto. E talvez seja exatamente aí que a parceria com as Fábricas de Cultura encontre sua força maior — na possibilidade de fazer nascer, dentro de muros tão duros, cenas de futuro.

Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Fundação Casa.
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