Quando ainda frequentava o Grupo Escolar Professor Jorge Americano, convivia com dois colegas que se arrastavam pelo chão da escola, com as pernas atrofiadas, via as dificuldades deles para subirem escadas e o isolamento das brincadeiras, nos recreios. Um deles, usava uns toquinhos, presos em suas mãos com tira de couro, que ajudavam a protege-las de ferimentos..Eram crianças atingidas pela poliomielite, doença que levou milhares e milhares, principalmente de crianças, à morte e muitas outras para passarem anos presas em um pulmão de ferro, onde permaneciam deitadas, só com a cabeça para fora, até que fossem libertadas pela morte.
O último paciente que contraiu a polio, aos 6 anos, faleceu com 78 anos, nos Estados Unidos, permanecendo no pulmão de ferro todos esses anos. Para a humanidade, restava o pavor de ver um filho, um parente contaminado, o que gerava preconceito e discriminação, frutos do pouco que se conhecia sobre a doença e o medo da contaminação.
O início da vacinação foi difícil, as vacinas Salk e Sabin eram vistas com desconfiança, pais se negavam a vacinar os filhos e pessoas, cuja fala era importante, pregavam sobre os riscos para quem se dispunha a dar crédito e usá-las. Mas, os bons resultados falaram mais alto e as campanhas de vacinação ganharam força em todo o mundo. Graças a isso, o Brasil foi declarado livre da polio, em 1994, pela Organização Mundial da Saúde.
Em nosso país, enfrentamos, recentemente, anos de negação e campanha de desmoralização das vacinas, com isso, os níveis de vacinação caíram muito e tornou-se alto o risco de termos a poliomielite de volta.
Felizmente, as campanhas governamentais estão trazendo de volta a confiança nos imunizantes e os índices de indivíduos vacinados voltou a crescer e se aproximar dos resultados anteriores. Mas é preciso que a sociedade esteja alerta, para que não venhamos a retroceder, pois a doença ainda persiste no Afeganistão e no Paquistão, o que coloca em risco o mundo todo.
O Rotary International, em 1979, com o objetivo de vacinar 6 milhões de crianças nas Filipinas, reuniu doações dos rotarianos em todo o mundo e doou as vacinas. Em 1985, o Rotary lançou a campanha PolioPlus que mantém, até hoje, os rotarianos, rotarianas e os Clubes de jovens interactianos e rotaractianos em campanhas permanentes de arrecadação que já chegou a 2 bilhões e novecentos milhões de dolares, que foram usados para imunizar mais de 3 bilhões de crianças, resultando em redução de 99,9% nos casos da doença no mundo.
Todo esse esforço feito pela sociedade para nos livrar da terrível doença pode cair por terra, se descuidarmos da prevenção que se faz com a vacina. Portanto, é imperioso que os pais e os responsáveis pela saúde nos municípios promovam informação e estrutura para que todas as crianças tenham acesso à vacina.
Por: Israel Antonio Alfonso
Governador 2005/2006 Distrito 4480 do Rotary International

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