A privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) é um dos maiores ataques contra o patrimônio e dos direitos do povo paulista, sobretudo as camadas mais pobres da população. A Sabesp foi vendida por Tarcísio de Freitas para a Equatorial Participações por preço muito abaixo do valor de mercado, sob a promessa de eficiência e universalização antecipada dos serviços, mas o que se vê é um atendimento ruim e alta de tarifas. Pior: agora também temos morte e feridos provocados pela irresponsabilidade da empresa.
No dia 11 de maio de 2026, por volta das 16h, uma explosão de grandes proporções devastou o Jaguaré. Esta explosão ocorreu durante uma intervenção de rotina da Sabesp para manutenção da rede de água. Segundo investigações preliminares do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil, a equipe técnica atingiu acidentalmente uma tubulação de gás encanado da Comgás. O vazamento resultante culminou em uma detonação que destruiu ao menos dez casas, afetou condomínios vizinhos e resultou em uma vítima fatal, além de diversos feridos. Moradores da região disseram que haviam alertado a equipe da Sabesp sobre a tubulação de gás, mas foram ignorados.
Na verdade, o que ocorreu no Jaguaré não é um fato isolado, mas o ápice de um processo de degradação. A busca agressiva por lucro levou a uma redução drástica no quadro de funcionários experientes que trabalhavam na empresa quando era estatal. Dados de 2025 indicaram que a Sabesp reduziu seu pessoal em cerca de 10% após a privatização, substituindo mão de obra qualificada por contratos de terceirização mais baratos e, possivelmente, menos treinados para lidar com a complexa malha subterrânea de uma metrópole como São Paulo.
O governador Tarcísio de Freitas disse que a privatização foi um sucesso, citando a antecipação da meta de universalização do saneamento de 2033 para 2029. A lógica oficial é de que o capital privado permite investimentos que o Estado, engessado por limites fiscais, não conseguiria realizar.
Entretanto, o custo dessa suposta “eficiência” tem sido questionado. Além de reajustes tarifários acima da inflação — como o de 6,11% aplicado no início de 2026 — a população tem relatado queda na qualidade do serviço direto, incluindo episódios de baixa pressão nas torneiras e demora em reparos emergenciais. Além disso, a água tem chegado suja e barrenta em muitas regiões. O acidente no Jaguaré tornou-se o símbolo mais sombrio dessa transição, sugerindo que a economia em processos operacionais pode ter um custo humano impagável.
A explosão levanta uma questão jurídica e ética urgente: quem responde pelos danos? A Sabesp e a Comgás anunciaram um auxílio emergencial de R$ 2 mil para as famílias afetadas, mas a responsabilidade civil e criminal sobre a falha operacional está sob escrutínio. A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) enfrenta o desafio de provar que possui agentes para fiscalizar devidamente as obras e a atividade da Sabesp privatizada, garantindo que normas de segurança não sejam sacrificadas em nome da rentabilidade dos acionistas.
O saneamento básico é, antes de tudo, uma questão de saúde e segurança pública. Enquanto as famílias do Jaguaré tentam reconstruir suas vidas, a população do estado de São Paulo precisa refletir: até que ponto a “eficiência” de mercado pode se sobrepor à segurança da infraestrutura que sustenta a maior cidade do país? Empresas que atuam na área dos serviços públicos precisam prestar atendimento de qualidade, com tarifas acessíveis e políticas de gratuidade para a população de baixa renda. Uma vez que Tarcísio conseguiu privatizar a Sabesp, sob a violência brutal da Polícia Militar contra os manifestantes que estavam na Assemblei Legislativa naquela sessão, é preciso haver rigor fiscalizatório, sob pena de transformar o acesso à água em um risco constante para o cidadão.
Professora Bebel é Deputada Estadual – PT e Primeira Presidenta – licenciada – da APEOESP
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