A Copa do Mundo está prestes a começar. Será que a Argentina, o País do futebol, atual campeã mundial vai conquistar o hexa? E o Brasil, onde a molecada é apaixonada por rúgbi e beisebol, terá alguma chance de passar da fase de grupos pela primeira vez? Já imaginaram se fossemos um país onde ninguém fala em Pelé, Marta, Garrincha, Ronaldinho ou Neymar? Onde nos campinhos de terra, nas praias e nas ruas, não se vê sequer uma bola de futebol? Onde não existe camisa amarelinha, não existe grito de gol, não existe aquela mistura de esperança, sofrimento e alegria que atravessa gerações?
Este poderia ser qualquer País do mundo, menos o Brasil. Por aqui, o futebol não é apenas um esporte – é linguagem, memória, afeto e identidade. Sem ele, poderíamos ser muitas coisas, mas nada parecido com aquilo que aprendemos a reconhecer como Brasil. O mesmo vale para a nossa sociobiodiversidade.
Não existe sequer a ideia de Brasil sem Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa, praias, rios, cachoeiras e florestas.
Também não é Brasil se não houver povos indígenas, quilombolas, caiçaras, ribeirinhos e extrativistas, que carregam saberes, culturas e modos de vida fundamentais para a história e o futuro do País. A natureza exuberante, a diversidade dos povos, os territórios vivos e os biomas que sustentam nossa água, nosso clima e nossa comida não são enfeites de cartão-postal. São parte constituinte do que somos.
Quando uma floresta é derrubada, quando um rio é contaminado, quando um povo tradicional é expulso de seu território, o Brasil perde mais do que biodiversidade: perde um pedaço da própria alma, pior do que o 7 a 1. Combater o desmatamento e recuperar florestas portanto, também é um ato patriótico. Assim como torcer pela seleção brasileira emociona porque toca a nossa identidade coletiva, defender nossos biomas é proteger aquilo que faz o brasileiro ser brasileiro e o Brasil ser o Brasil.
As conquistas do governo Lula na redução do desmatamento mostram que é possível virar o jogo quando há decisão política, coragem e compromisso com a vida. Recolocar a pauta ambiental no centro do governo, de forma transversal, é afirmar que desenvolvimento não pode vir acompanhado de destruição. É cuidar da vida nesta geração e nas próximas. É proteger nosso maior patrimônio nacional e aqui não estou falando do futebol.
A Copa do Mundo está prestes a começar e a Argentina pode até ser uma das favoritas, mas graças a Deus ainda somos o País do futebol! A nossa torcida irá reforçar tudo aquilo que nós somos e construímos. Apoiar a nossa seleção e defender a sociobiodiversidade brasileira são compromissos com o povo, com a soberania, com a memória e com o futuro. Porque um Brasil sem futebol, sem florestas, sem rios, sem povos tradicionais até poderia existir no mapa, mas deixaria de ser Brasil.
Nilto Tatto é Deputado Federal(PT-SP), Membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados e Presidente da Frente Parlamentar do Meio Ambiente.
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