A Revolução Digital
Artigo de Montserrat Martins – Psiquiatra
É impossível negar que, hoje em dia, a internet faz parte da rotina da grande maioria das crianças e adolescentes. O acesso à tecnologia e aos dispositivos eletrônicos tem sido cada vez mais cedo e frequente, o que torna fundamental a conscientização dos pais e responsáveis sobre a importância de proteger e ajudar as crianças e adolescentes no ambiente digital, bem como orientá-los sobre a importância do uso responsável da internet e sobre as consequências de exposições indevidas de informações pessoais na rede.
Existem várias medidas que podem ser tomadas para protegê-los no ambiente digital, ferramentas de controle dos pais estão disponíveis no mercado, que podem impedir que as crianças acessem conteúdos inadequados, para que não sejam vítimas de cibercrimes ou violência virtual. Estabeleça limites saudáveis para o tempo de tela e verifique regularmente o que seus filhos estão fazendo online, limitar o tempo de uso de dispositivos eletrônicos, monitorar as atividades online, ensinar sobre segurança na internet e proteção de informações pessoais, além de manter um diálogo aberto e regular sobre o assunto, seus perigos e suas potencialidades. Dessa forma, as crianças e os adolescentes se sentirão acolhidos e confiantes para conversar sobre qualquer situação que possa causar medo, constrangimento ou angústia. É de suma importância ensinar sobre o não compartilhamento de informações pessoais com estranhos, e de como utilizar as configurações de privacidade nas redes sociais.
Embora os pais desempenhem um papel fundamental na proteção dos jovens no ambiente digital, a responsabilidade também deve ser compartilhada por escolas, organizações comunitárias e empresas. Eles também devem estar cientes da importância de uma abordagem proativa para proteger os jovens no ambiente digital. A tecnologia pode ser muito útil e benéfica, mas é importante utilizá-la com responsabilidade.
Lembre-se de que proteger e ajudá-los no ambiente digital é essencial para garantir um desenvolvimento saudável e seguro, e que cabe a cada um de nós a segurança e o bem-estar dos jovens, independentemente do ambiente em que eles se encontrem.
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças até 2 anos não tenham acesso a celular e internet, que de 2 a 5 anos tenham no máximo 1 hora por dia, de 6 a 10 anos de 1 a 2 horas por dia e dos 11 aos 18 anos, no máximo até 3 horas por dia. Essa resolução da SBP é de 2019 (há 5 anos atrás, portanto) e ainda está em vigor, com a mesma orientação para as mães e pais de crianças e adolescentes.
Esse tema foi debatido no simpósio “O Mundo Digital e a Família”, da AGATEF – Associação Gaúcha de Terapia Familiar, onde vários relatos científicos foram feitos sobre possíveis riscos e prejuízos da exposição excessiva às mídias digitais.
Foram apresentados estudos das áreas de Psicologia, Psiquiatria, Serviço Social, Direito, enfim, de vários profissionais que atendem famílias e as orientam sobre as estratégias mais adequadas para essa nova realidade. Eu, pessoalmente, mesmo sendo Médico Psiquiatra, acredito que essas concepções vão mudar muito nos próximos 10 anos, porque há muitos fatos inéditos, sem precedentes na História da Humanidade.
Pela primeira vez, não só os adultos orientam seus filhos sobre os perigos de algo, agora os filhos dominam a tecnologia melhor que seus pais e os avisam, muitas vezes, do que seja um possível golpe pela internet. Os mais velhos ajudam com sua experiência de vida, enquanto os mais novos tem o conhecimento das mídias digitais que eles não tem. Conhecimento é poder e, nesse sentido, as crianças nunca foram tão “empoderadas” como hoje. Algumas, inclusive, se tornaram capazes de ganhar dinheiro na internet, o que também é inédito, não há precedentes disso em qualquer época da História.
A Revolução Digital tem um impacto não apenas nas famílias, mas em toda sociedade, que pode ser comparado, por analogia, à Revolução Industrial, ou à Revolução Científica, fenômenos que mudaram profundamente a sociedade. Com um agravante: enquanto a industrialização e a Ciência levaram séculos para se consolidarem, a Revolução Digital está mudando o mundo em velocidade alucinante, “atropelando” famílias e grupos sociais inteiros com mudanças de hábitos, de costumes, de valores, que num primeiro momento mais assustam do que empolgam.
Os riscos são maiores, como sempre, para as famílias menos estruturadas, menos informadas, mais vulneráveis social, econômica e culturalmente, Paradoxalmente, esse mesmo grupo social também nunca teve tanta visibilidade e inclusão, como diz o meme de que “todo pobre tem de postar um vídeo no TikTok”. Os profissionais que os assistem também poderão ver, um dia, “o outro lado da moeda”.
Fonte: EcoDebate
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