Na terça-feira, 7 de julho, fiquei muito orgulhosa das professoras, dos professores, da juventude, dos integrantes de movimentos sociais que atenderam ao chamado do nosso mandato popular e da APEOESP, comparecendo em muitas centenas à Assembleia Legislativa para fazer o governo de Tarcísio de Freitas de votar naquele dia o projeto de lei 1316/2026, a reforma administrativa da Educação.
O projeto pretende institucionalizar medidas autoritárias, como avaliação de desempenho injusta que transforma professores em “faróis” e permite punições e demissões, dependendo de o docente ser efetivo ou temporário. Nossa pressão já fez o governo protocolar uma emenda de plenário que ameniza parte das medidas, mas não resolve o problema. Queremos a retirada desse projeto.
O compromisso da nossa categoria, dos demais profissionais, da juventude e dos movimentos com a Educação pública contrasta com a forma com que o governo de Tarcísio de Freitas trata os direitos da população, os serviços públicos e o patrimônio dos paulistas. Poderíamos citar tragédias provocadas por este governo em todas as áreas. Citamos algumas, além da Educação: a Saúde, que nada melhorou, apesar da promessa de investir os R$ 11 bilhões retirados da Educação, a SABESP privatizada, que aumentou tarifas, piorou o serviço e já causou quatro mortes em obras mal feitas, a proliferação de pedágios, com preços aumentados e a segurança pública, que se tornou verdadeira calamidade.
Quem mora na cidade de São Paulo, nas cidades da Grande São Paulo e nas grandes e médias cidades do interior, vê e sente todos os dias que não existe nenhuma política de segurança pública no estado de São Paulo. Moradores relatam que ruas tranquilas e seguras se transformaram em palcos de roubos a mão armada em plena luz do dia. Em 2025 foram registradas na cidade de São Paulo 17 ocorrências por hora de roubos e furtos de celulares. Onde está a polícia? Em geral os maiores contingentes policiais estão concentrados em algumas áreas nobres ou de grande visibilidade. Ao mesmo tempo, maus policiais praticam abusos de autoridade e até mesmo agressões contra cidadãos e cidadãs, sobretudo pobres e negros, como registram numerosos vídeos veiculados em redes sociais.
O Estado de São Paulo precisa de uma política de segurança pública que não seja autoritária, que não seja violenta, que valorize os policiais e demais agentes e que se volte para proteger e não para aterrorizar a população, enquanto criminosos agem à solta. É lamentável que Tarcísio de Freitas, seu ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, e demais aliados, tenham agido e continuem agindo contra a PEC da Segurança Pública enviada ao Congresso Nacional e para que o Brasil não tenha um Sistema Único de Segurança, que permitirá de forma permanente ações coordenadas entre a União, Estados e Municípios.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, e seus aliados aplaudem o governo estadunidense de Donald Trump por classificar de terroristas grupos criminosos no Brasil – como alertou o Itamarati, isto pode facilitar ações armadas dos Estados Unidos no nosso país. Entretanto, os bolsonaristas boicotam ações do governo do presidente Lula para combater esses grupos, como a asfixia financeira do crime organizado, por meio de ações integradas, confisco de bens e valores, maior controle no sistema prisional, para isolar as lideranças e impedir o comando de dentro da cadeia, enfrentamento ao Tráfico de Armas e Munições, com o fortalecimento da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos, que integra os esforços dos Ministérios da Justiça, Defesa e Fazenda, mais inteligência policial, Banco Nacional de Dados e efetivação da lei antifacção, entre muitas outras.
Estamos vendo em curso no país duas formas antagônicas de governar e cuidar do bem comum. Estejamos muito atentos para escolher sempre a melhor.
Professora Bebel é Deputada Estadual – PT e Primeira Presidenta – licenciada – da APEOESP
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