Quando escrevo este texto, milhares de trabalhadores e trabalhadoras da Capital e da Grande São Paulo enfrentam um verdadeiro inferno nas linhas 11, 12 e 13 da Companhia Paulista de Transporte Metropolitano – CPTM, entregues por Tarcísio de Freitas à empresa privada Trivia Trens.
Em 3 dias de operação dessas linhas pela empresa amiga de Tarcísio, já ocorreu de tudo: explosão e incêndio, falhas de todos os tipos, lentidão, falta de trens, superlotação, um caos absoluto. Centenas de usuários, inclusive idosos e crianças, foram obrigados a andar a pé na via férrea, muitas vezes usando seus celulares para iluminar o caminho, outras vezes precisando da ajuda de policiais para atravessarem perigosos pontilhões.
Em meio a tudo isso, onde está o governador Tarcísio de Freitas? Está preocupado em conceder ao presidente de extrema-direita da Argentina, Javier Milei, a mais alta honraria do Estado, a Ordem do Ipiranga, por “relevantes serviços prestados ao povo paulista”. E nós perguntamos: quais foram esses relevantes serviços? O silêncio é a resposta. Sobre o caos na CPTM, nenhuma palavra ou atitude do governador para resolver o problema. O povo que se vire.
A privatização da SABESP, empresa altamente lucrativa e eficiente, uma das maiores em água e saneamento em todo o mundo, entregue pela metade do preço a outros amigos de Tarcísio, demonstrou ter sido um crime contra o povo, contra o Estado de São Paulo e contra o País. A aprovação dessa privatização se deu debaixo de feroz repressão da tropa de choque da Polícia Militar dentro do próprio plenário da Assemblei Legislativa.
Analistas de mercado avaliam o valor da SABESP em R$ 105 bilhões, enquanto a privatização movimentou R$ 14,8 bilhões. A empresa Equatorial, única concorrente e sem experiência no ramo, tornou-se acionista de referência por R$ 6,9 bilhões.
Desde então, a população não recebeu um único benefício. As tarifas subiram vertiginosamente, o abastecimento piorou, inclusive com água suja e mal cheirosa saindo das torneiras, obras mal feitas causam acidentes e mortes, o atendimento ao cliente é péssimo, entre outros problemas.
Tarcísio privatiza a gestão e exploração de 33 escolas a serem construídas em regime de Parceria Público Privada, com direito a leilão na bolsa de valores, como se escola fosse um negócio qualquer, vendável na bolsa para empresas de engenharia e administradores de cemitérios, que venceram os leilões. Tarcísio retirou R$ 11 bilhões anuais da Educação e agora alega que precisa de PPP para construir escolas. Mais uma ação entre amigos com seus financiadores de campanha.
Nós estamos lutando de todas as formas contra essas privatizações, porque não se pode separar gestão administrativa de gestão pedagógica em uma unidade escolar. Todas as atividades de uma escola precisam estar sintonizadas e convergir para o ensino e aprendizagem com qualidade.
Voltando ao transporte por trilhos, a privatização só beneficia os empresários e resulta em precarização, aumento de tarifas veladas por subsídios estatais e repasse de riscos operacionais à população. Além disso, fica evidente a incapacidade de fiscalização do Estado sobre as concessionárias e a vulnerabilidade dos usuários diante de falhas sistemáticas na prestação de um serviço essencial.
A essência do governo de Tarcísio de Freitas, forasteiro sem compromisso com o povo paulista, é autoritária, privatista e entreguista. Eu, você, nós todos, podemos mudar a realidade do estado de São Paulo com um toque no dia 4 de outubro. Vamos fazer isso? Nós podemos mandar Tarcísio de volta para casa e colocar no comando do Estado uma pessoa que nasceu em São Paulo, conhece os problemas e as soluções e não tem rabo preso com empresários que adoram falar mal do Estado, mas vivem das benesses, financiamentos e subsídios estatais.
Professora Bebel é Deputada Estadual – PT e Primeira Presidenta – licenciada – da APEOESP
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