O El Niño é um fenômeno natural marcado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Parece distante, mas não é. Quando o Pacífico esquenta, ele altera ventos, chuvas, temperaturas e a circulação atmosférica em várias partes do planeta. No Brasil, isso pode significar mais calor, secas severas em algumas regiões, chuvas extremas em outras, prejuízos à agricultura, pressão sobre os reservatórios, aumento de queimadas e impactos diretos no preço dos alimentos.
A diferença do Super El Niño em relação a eventos anteriores está na força do aquecimento das águas e na capacidade de bagunçar ainda mais o clima global. Segundo projeções recentes, há alta probabilidade de formação deste evento climático e uma grande chance de que ele alcance intensidade muito forte entre o fim deste ano e o início de 2027. A Organização Meteorológica Mundial também alerta que o retorno do El Niño deve impactar padrões de temperatura e chuva no mundo todo.
É importante dizer: o El Niño sempre existiu, oi seja, ele não é causado diretamente pelas mudanças climáticas. Mas a crise climática funciona como gasolina no fogo. Em um planeta cada vez mais quente, cada evento extremo tende a encontrar condições mais perigosas: ondas de calor mais intensas, secas mais prolongadas, chuvas mais destrutivas e menor capacidade dos ecossistemas de se recuperarem.
Por isso, não estamos falando apenas de um período de calor que iremos atravessar, mas de segurança alimentar, água na torneira, energia elétrica, saúde pública, moradia, transporte, produção agrícola e proteção das populações mais vulneráveis. Isso porque a crise climática não atinge todos da mesma forma: quem mora em área de risco, depende da agricultura familiar, vive nas periferias ou em territórios tradicionais sente primeiro e sente mais forte.
Individualmente, podemos e devemos economizar água, reduzir desperdícios, cobrar informação e apoiar práticas sustentáveis. Mas isso não basta. Como nação, precisamos combater o desmatamento, proteger biomas, fortalecer as políticas socioambientais, investir em adaptação climática, saneamento, agricultura familiar, transição energética justa e planejamento urbano. O Super El Niño é um alerta. A resposta precisa ser coletiva, urgente e política.
Nilto Tatto é Deputado Federal (PT-SP) , Membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados e Presidente da Frente Parlamentar do Meio Ambiente.
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