O Conselho Federal de Medicina define como erro médico a conduta, com negligência, imprudência ou imperícia, praticada pelo médico, que gera um dano ao paciente, de ordem moral e/ou física.
Erro médico e negligência médica estão diretamente ligados, porém um pode ser a causa do outro.
Erro médico é a conduta profissional inadequada, que provoca dano à vida ou até mesmo a morte do paciente, e pode ocorrer devido a três razões: negligência, imperícia e imprudência.
A negligência médica ocorre quando um profissional de saúde negligencia o fornecimento de tratamento apropriado, omite a tomada de uma ação apropriada ou dá um tratamento abaixo do padrão que causa danos, ferimentos ou morte a um paciente.
A má prática ou negligência normalmente envolve um erro médico. Isso pode ser no diagnóstico, dosagem de medicamentos, gerenciamento de saúde, tratamento ou cuidados posteriores.
Os casos de negligência e de alegado erro médico no Brasil parecem estar mais visíveis hoje por uma combinação de fatores, e não apenas porque os profissionais estariam cometendo mais erros.
Entre as principais causas apontadas por especialistas estão a superlotação dos serviços de saúde, especialmente no SUS, a falta de profissionais em algumas regiões, jornadas exaustivas, plantões prolongados e condições de trabalho inadequadas. Quando médicos, enfermeiros e demais profissionais precisam atender muitos pacientes em pouco tempo, o risco de falhas aumenta.
Outro fator importante é a deficiência de gestão em alguns hospitais e clínicas. Problemas de organização, falhas na comunicação entre equipes, falta de protocolos de segurança e escassez de equipamentos ou insumos podem contribuir para erros que, muitas vezes, poderiam ser evitados.
Também houve um aumento significativo das ações judiciais relacionadas à prestação de serviços de saúde. Dados divulgados com base em registros do Conselho Nacional de Justiça mostram forte crescimento dos processos envolvendo supostos erros médicos e danos decorrentes da assistência à saúde. Isso significa que mais pacientes estão buscando seus direitos e que há maior fiscalização e visibilidade dos casos.
É importante destacar que nem todo resultado negativo de um tratamento configura negligência médica. Juridicamente, costuma-se diferenciar:
- Negligência: quando há omissão ou falta de cuidado.
- Imprudência: quando o profissional age de forma precipitada.
- Imperícia: quando falta conhecimento técnico adequado.
- Complicação médica: quando ocorre um resultado adverso mesmo com atendimento correto.
Por fim, muitos especialistas defendem que a solução passa por investimentos em infraestrutura hospitalar, melhor formação e atualização contínua dos profissionais, redução da sobrecarga de trabalho e fortalecimento dos protocolos de segurança do paciente.
Em resumo, o aumento dos casos decorre de uma combinação de sobrecarga do sistema de saúde, falhas estruturais, problemas de gestão, maior número de atendimentos e maior conscientização dos pacientes sobre seus direitos.
Existem alguns casos e denúncias que ganharam repercussão em 2026 no interior de São Paulo, embora nem todos estejam oficialmente confirmados pela Justiça como negligência médica.
Abaixo estão os principais casos encontrados em registros públicos e notícias recentes:
Bauru
Caso de suposto material cirúrgico esquecido no organismo
Em 2014, uma paciente relatou ter eliminado um pedaço de pano meses após uma cesariana realizada em hospital de Bauru. Segundo a família, ela sofria dores e febres recorrentes desde a cirurgia. O hospital instaurou procedimento interno para apurar os fatos.
Denúncia envolvendo falecimento após procedimento
Em 2025, familiares registraram reclamações públicas alegando negligência durante um procedimento hospitalar em Bauru, que teria resultado em óbito. O caso foi divulgado em plataformas de defesa do consumidor e pedia investigação das circunstâncias do atendimento.
Marília
Erro de diagnóstico em fratura
O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve condenação contra a Santa Casa de Marília e uma médica após um paciente receber alta mesmo apresentando fratura decorrente de queda. Dias depois, exames mais detalhados constataram a lesão e a necessidade de cirurgia. A Justiça entendeu que deveriam ter sido realizados exames complementares antes da alta.
Paciente indenizada após complicações vasculares
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) foi condenado a indenizar uma paciente que sofreu sequelas após tratamento vascular. A decisão judicial reconheceu falhas no acompanhamento pós-procedimento e determinou indenização e pensão mensal vitalícia.
Queimaduras durante cirurgia
A Santa Casa de Marília e um médico foram condenados após uma paciente sofrer queimaduras causadas por bisturi elétrico durante procedimento cirúrgico. O Tribunal considerou que houve falha operacional e responsabilidade dos profissionais envolvidos.
Morte de gestante investigada
A Justiça determinou perícia em prontuários médicos após familiares alegarem erro médico no atendimento de uma gestante que acabou falecendo. O caso envolveu unidades do complexo Famema e teve ampla repercussão regional.
Denúncia de negligência após acidente
Em 2024, familiares de um pastor vítima de acidente rodoviário apresentaram denúncia ao Conselho Regional de Medicina alegando falhas no atendimento prestado no Hospital das Clínicas de Marília. O caso foi encaminhado para análise dos órgãos competentes.
São José do Rio Preto
Acusação de recusa de atendimento especializado
Em 2025, familiares de uma paciente idosa denunciaram um cardiologista credenciado por suposta recusa de atendimento em consulta agendada. O episódio gerou reclamação formal e discussão sobre possível negligência assistencial.
Alegação de falhas em tratamento oncológico
Também em 2025, familiares de um paciente com leucemia denunciaram suposta negligência no Hospital de Base de Rio Preto, alegando demora e falhas no tratamento. Trata-se de acusação pública da família, sem decisão judicial conhecida até o momento.
Lins
Em Lins foram encontrados, , casos amplamente documentados e confirmados judicialmente de negligência
1. Caso envolvendo morte de paciente na Santa Casa de Lins
Uma ação judicial julgada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo relata que familiares de um paciente falecido acusaram profissionais da Santa Casa de Lins e o Município de Lins de erro médico. Segundo os autos, o CREMESP abriu sindicância e encontrou indícios de falhas no atendimento, entre elas:
- Alta médica mesmo diante de quadro considerado grave;
- Ausência de exames complementares importantes;
- Falhas no preenchimento do prontuário médico;
- Condutas que teriam sido insuficientes para identificar corretamente a gravidade do caso.
O paciente veio a falecer no mesmo dia em que foi liberado. Os familiares pediram indenização por danos morais. O processo segue como um dos casos mais detalhados envolvendo alegação de negligência médica em Lins.
2. Caso de óbito fetal atribuído a possível erro obstétrico
Outro processo judicial envolvendo a Associação Hospitalar Santa Casa de Lins trata da morte de um bebê ainda no ventre materno. Os pais alegaram negligência e imperícia durante o atendimento obstétrico.
A controvérsia foi tão relevante que o Tribunal de Justiça anulou uma sentença anterior porque a perícia não respondeu adequadamente às questões técnicas necessárias para esclarecer se houve erro médico. O caso continuou sendo analisado judicialmente.
3. Processo sobre morte materna e fetal analisado pelo TJ-SP
Em outro julgamento relacionado à Santa Casa de Lins, familiares alegaram que atrasos e falhas no tratamento contribuíram para a morte de uma gestante e do bebê.
Após perícia do IMESC, o Tribunal concluiu que não havia provas suficientes de negligência médica nem nexo causal entre a atuação dos profissionais e os óbitos, mantendo a improcedência da ação. Embora não tenha sido reconhecido erro médico, o caso demonstra que houve investigação formal de suspeitas graves.
Situação geral em Lins
Os registros públicos encontrados mostram que as principais denúncias envolvendo Lins nos últimos anos concentram-se em:
- Atendimento de emergência;
- Liberação de pacientes sem investigação diagnóstica adequada;
- Falhas em prontuários;
- Casos obstétricos envolvendo morte fetal;
- Discussões sobre responsabilidade da Santa Casa e do Município.
Grande parte dessas ocorrências chegou ao Poder Judiciário, mas nem todas resultaram em condenação dos profissionais ou das instituições. Em processos de erro médico, a perícia técnica costuma ser decisiva para confirmar ou afastar a existência de negligência.
Presidente Prudente
Também não foram localizados, nesta busca inicial, casos recentes de grande repercussão pública com condenação judicial envolvendo negligência médica em Presidente Prudente. Há registros de ações judiciais individuais, mas sem ampla divulgação jornalística.
Ribeirão Preto
Um caso divulgado em 2025 envolveu denúncia de negligência na assistência a um paciente vítima de acidente de moto na Santa Casa de Ribeirão Preto. Segundo o relato, houve demora na realização de exames e falta de assistência adequada durante a permanência hospitalar.
Outro caso registrado em 2025 no Hospital Beneficência de Ribeirão Preto relatou falta de socorro adequado a uma paciente recém-operada, incluindo queda no banheiro, sangramento e demora no atendimento por parte da equipe.
Sorocaba
Em 2026 ganhou destaque o julgamento de um homem acusado de atuar ilegalmente como médico na Santa Casa de Sorocaba. Segundo a acusação, uma idosa procurou atendimento com sintomas que posteriormente foram associados a um infarto, recebeu apenas medicação para dor e foi liberada, falecendo horas depois. O caso levantou discussões sobre fiscalização hospitalar e segurança dos pacientes.
Também houve denúncia envolvendo o Hospital Unimed HUC de Sorocaba, onde familiares alegaram atraso no atendimento, erro na alocação de leito e falhas na condução diagnóstica de um paciente internado.
Jundiaí
Em 2025, um paciente denunciou possível negligência no Hospital Paulo Sacramento, relatando falhas no atendimento médico, encerramento do atendimento sem administração da medicação prescrita e problemas no sistema interno que impediram o tratamento adequado.
Limeira
Um dos casos mais repercutidos ocorreu com o menino Théo Benício Vantini de Azevedo, de 2 anos. Segundo investigação da Secretaria Municipal de Saúde, a criança recebeu alta duas vezes antes de falecer. O laudo apontou infecção bacteriana grave e o relatório oficial identificou falhas no atendimento, encaminhando o caso ao Ministério Público e ao Cremesp para apuração.
A Prefeitura de Limeira também representou formalmente contra o hospital envolvido após apuração indicar indícios de negligência e recusa de internação diante de sintomas considerados graves.
CONCLUSÂO
Os casos de erros e negligências médicas registrados no interior de São Paulo demonstram a necessidade permanente de aprimoramento dos serviços de saúde, tanto na rede pública quanto na privada. Embora a maioria dos profissionais exerça sua função com dedicação e competência, os episódios de falhas em diagnósticos, atrasos no atendimento, erros em procedimentos e deficiências na comunicação evidenciam que o sistema de saúde ainda enfrenta desafios importantes.
Esses acontecimentos reforçam a importância de investimentos contínuos na capacitação das equipes, na melhoria das condições de trabalho, na ampliação do número de profissionais e na adoção de protocolos rigorosos de segurança do paciente. Também é fundamental que as instituições de saúde promovam uma cultura de transparência, investigação das ocorrências e aprendizado com os erros, visando evitar que situações semelhantes se repitam.
Além disso, as vítimas e seus familiares devem ter acesso a mecanismos eficazes de apuração, responsabilização e reparação quando houver comprovação de falha profissional ou institucional. A confiança da população nos serviços de saúde depende da garantia de atendimento humanizado, seguro e baseado em critérios técnicos.
Portanto, os casos ocorridos no interior paulista servem como um alerta para autoridades, gestores e profissionais da saúde sobre a necessidade de fortalecer a qualidade da assistência médica. A preservação da vida e da dignidade humana deve permanecer como prioridade absoluta em todos os níveis do atendimento à saúde.
Fonte Pública

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