Imagem / James Gathany
Um dos motivos tem sido a redução das áreas silvestres e a consequente ampliação das cidades. O Brasil tem se urbanizado de forma muito rápida e pouco planejada e o ressurgimento da febre amarela urbana pode estar relacionado a esta infiltração do ser humano no habitat natural do vírus da doença.
A febre amarela é uma doença viral aguda, imunoprevenível, transmitida ao homem e a primatas não humanos (macacos), por meio da picada de mosquitos infectados. Possui dois ciclos de transmissão: silvestre (quando há transmissão em área rural ou de floresta) e urbano.
O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de pessoa a pessoa. Em áreas de mata, os principais vetores são os mosquitos Haemagogus e Sabethes. Já nas áreas urbanas, o vetor do vírus é o Aedes aegypti.
A maior frequência da febre amarela ocorre entre os meses de dezembro e maio, período com maior índice de chuvas, quando aumenta a proliferação do vetor, o que coincide ainda com maior atividade agrícola.
VACINAÇÃO
A vacina é a principal ferramenta de prevenção e controle da febre amarela. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta vacina contra febre amarela para a população.
Desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida, sendo que a pessoa que recebeu uma dose da vacina antes de completar (5) cinco anos , está indicada a dose de reforço, independentemente da idade que tiver. Essa medida está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
PORQUE SE VACINAR?
A vacina contra a febre amarela é segura e considerada a medida mais eficaz para evitar casos graves e mortes pela doença. Depois de imunizado, você está protegido por toda vida. A vacina contra a febre amarela é gratuita e é disponibilizada pelo SUS.
QUEM DEVE SE VACINAR?
- Crianças, ao completarem 9 meses de vida, devem receber 1 (uma) dose;
- Crianças, ao completarem 4 anos de idade, devem receber 1 (uma) dose de reforço;
- Pessoas de 5 a 59 anos de idade, não vacinadas ou sem comprovante de vacinação, devem receber 1 (uma) dose;
- Pessoas que receberam apenas 1 (uma) dose da vacina antes de completarem 5 anos de idade devem receber 1 (uma) dose de reforço.
QUEM NÃO DEVE TOMAR A VACINA?
- Crianças menores de 6 (seis) meses de idade.
- Pacientes em tratamento com imunobiológicos (Infliximabe, Etarnecepte, Golimumabe, Certolizumabe, Abatacept, Belimumabe, Ustequinumabe, Canaquinumabe, Tocilizumabe, Rituximabe, inibidores de CCR5 como Maraviroc), em pacientes que interromperam o uso dessa medicação é necessária avaliação médica para se definir o intervalo para vacinação, conforme manual dos CRIE.
- Pacientes submetidos a transplante de órgãos sólidos.
- Pacientes com imunodeficiências primárias graves.
- Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).
- Pacientes portadores de doença falciforme em uso de hidroxiureia e contagem de neutrófilos menor de 1500 cels/mm³.
- Pacientes recebendo corticosteroides em doses imunossupressoras (prednisona 2mg/kg por dia nas crianças até 10 kg por mais de 14 dias ou 20 mg por dia por mais de 14 dias em adultos)
- Pessoas com alergia grave ao ovo.
Como saber se tenho alergia ao ovo?
Segundo previsto na política nacional de alimentação e nutrição do SUS, os profissionais da atenção básica devem fazer avaliação clínica e orientação nutricional das crianças e adultos identificando alergias alimentares e/ou problemas relacionados à alimentação e nutrição.
Assim, os profissionais das Unidades Básicas de Saúde devem fazer a orientação sobre a dieta alimentar mais adequada em cada caso (incluindo a recomendação de não vacinação quando há componentes alergênicos) e caso haja necessidade, os usuários poderão ser encaminhados para um serviço especializado para realização de avaliação complementar e o melhor encaminhamento em cada caso.
QUANDO E ONDE SE VACINAR?
A vacina está disponível, durante todo o ano, nas mais de 4.000 unidades de saúde em todo Estado de Minas Gerais. É segura e gratuita, sendo disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência, seguindo as orientações de prevenção a Covid-19, e leve o cartão de vacinação.
QUEM JÁ SE VACINOU PRECISA SE VACINAR NOVAMENTE?
Pessoas que tomaram 2 (duas) doses antes dos 5 anos de idade ou 1 (uma) dose depois dos 5 anos de idade não precisam se vacinar novamente, pois a imunização dura por toda a vida!
A VACINA CONTRA A FEBRE AMARELA PROTEGE CONTRA O CORONAVÍRUS?
Não! A vacina protege apenas contra o vírus da febre amarela evitando casos graves e mortes causados por ele, mas NÃO oferece nenhuma proteção contra o Coronavírus.
POSSO TOMAR A VACINA CONTRA A FEBRE AMARELA E A VACINA CONTRA O CORONAVÍRUS AO MESMO TEMPO?
Sim. O Ministério da Saúde recomenda a administração concomitante de vacinas COVID-19 com as demais vacinas do calendário Nacional de vacinação.
VACINAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA
A vacinação é um serviço essencial e deve ser mantido mesmo na pandemia. Ao se dirigir até uma unidade básica de saúde para se vacinar, utilize máscara, respeite distanciamento social todas as medidas de prevenção a Covid-19. Não se esqueça de levar o cartão de vacinação.
POSSO DOAR SANGUE APÓS ME VACINAR?
Após 28 dias da vacina, as doações de sangue podem ser realizadas. Sugere-se que antes de tomar a vacina as pessoas procurem um hemocentro ou serviço de coleta para doação, evitando que haja desabastecimento dos estoques de bolsas de sangue.
QUAL A RECOMENDAÇÃO DE VACINA PARA QUEM VAI VIAJAR?
Para viajantes para áreas com vigência de surto no país ou para países que exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia e que não tenham sido vacinados devem se vacinar pelo menos 10 dias antes da viagem, respeitando as precauções e contraindicações da vacina.
TRANSMISSÃO
A Febre Amarela é transmitida pela picada de mosquitos vetores, e possui dois ciclos de transmissão:
SILVESTRE
Se dá principalmente quando há transmissão em área rural ou de floresta. No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata, assim como os macacos.
URBANO
No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados.

A série histórica da doença no Brasil demonstra que os casos ocorrem com maior frequência nos meses entre dezembro a maio caracterizando a doença com perfil sazonal. Esse fato ocorre principalmente no verão, quando a temperatura média aumenta na estação das chuvas, favorecendo a reprodução e proliferação de mosquitos (vetores) e, por consequência o potencial de circulação do vírus.
SINTOMAS

A maioria das pessoas melhora após os sintomas iniciais. No entanto, cerca de 15% apresentam um breve período de horas a um dia sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença. Nestes casos, a doença pode causar o comprometimento do fígado provocando icterícia (pele amarelada), hemorragias (sangramentos) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos.
Depois de identificar alguns desses sintomas, procure um médico na unidade de saúde mais próxima e informe sobre qualquer viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas, e se você observou mortandade de macacos próximo aos lugares que você visitou, assim como picadas de mosquito. Informe, ainda, se você tomou a vacina contra a febre amarela, e a data.
IMPORTANTE: Cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem febre amarela grave podem morrer. Assim que surgirem os primeiros sinais e sintomas, é fundamental buscar ajuda médica imediata.
FEBRE AMARELA É CONTAGIOSA?
A doença não é contagiosa, ou seja, não há transmissão de pessoa para pessoa. É transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus da febre amarela.
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DA FEBRE AMARELA?
No caso de qualquer um dos sintomas da doença, procure imediatamente uma Unidade Básica de Saúde para avaliação médica adequada. O profissional de saúde fará os exames necessários para diagnosticar a doença, assim como a sua gravidade, para indicar a melhor forma de tratamento.
COMO É REALIZADO O TRATAMENTO DA FEBRE AMARELA?
Somente um médico é capaz de diagnosticar e tratar corretamente um paciente suspeito com febre amarela.
O tratamento é apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado.
Nas formas graves, o paciente deve ser atendido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), para reduzir as complicações e o risco de óbito. Medicamentos salicilatos devem ser evitados (AAS e Aspirina), já que o uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas.
EXISTE A POSSIBILIDADE DE UMA PESSOA INFECTADA NA ÁREA RURAL IR PARA A CIDADE , INFECTAR MOSQUITOS E INICIAR UMA TRANSMISSÃO NA ÁREA URBANA?
Sim, existe essa possibilidade. Por isso, a prevenção por meio da vacinação e da eliminação dos criadouros do Aedes aegypti é fundamental.
FONTE: SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE
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