Muitas mentiras repetidas muitas vezes não viram verdades. Elas podem até enganar uma parcela da população, mas nem por isso, deixam de ser mentiras. A ideia de que proteger o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento, por exemplo, quando a verdade é justamente o contrário. Sem floresta em pé, água limpa, solo vivo e clima minimamente estável, não há agricultura, comida barata nem futuro para o Brasil.
O agronegócio expansionista tenta vender a ideia de que só produz quem desmata, envenena e passa por cima da fiscalização. Dizem que não existe produção em larga escala sem agrotóxicos, como se ciência, tecnologia, agroecologia, bioinsumos, agricultura familiar e recuperação de áreas degradadas fossem atraso. Atraso é insistir num modelo que concentra terra, contamina rios, expulsa comunidades e povos tradicionais, adoece trabalhadores e ainda quer posar de salvador da pátria.
Outro mito conveniente é o de que o agro seria “a locomotiva do país”. Mas que locomotiva é essa que anda sobre trilhos pagos pelo povo? O setor recebe bilhões em crédito, seguro, renúncias e infraestrutura pública. Mesmo assim, sua bancada age como se qualquer regra ambiental fosse perseguição, trabalhando muitas vezes contra os próprios produtores. Afinal, quem depende da chuva, da fertilidade do solo e da estabilidade climática deveria ser o primeiro a defender o combate ao desmatamento.
Dados científicos confirmam uma enorme contradição. No Brasil, as emissões de gases de efeito estufa estão fortemente ligadas à mudança no uso da terra e à agropecuária. Em 2024, por exemplo, mesmo com queda nas emissões, lançamos mais de 2 bilhões de toneladas de CO₂ na atmosfera. O MapBiomas também mostra que Amazônia e Cerrado seguem no centro da pressão do desmatamento. O problema nunca foi produzir alimentos, mas a lógica da devastação.
É exatamente essa lógica que volta à cena no Congresso. Nesta semana, a Câmara vive um mutirão do atraso, articulado pela bancada ruralista, com propostas que flexibilizam regras ambientais, liberam mais agrotóxicos e afrouxam a fiscalização. Também os vetos ao chamado “novo marco do licenciamento ambiental”, que abre atalhos perigosos para obras e empreendimentos sem o devido controle.
Defender o meio ambiente não é ser contra o campo. É ser a favor da vida, da comida de verdade, da agricultura responsável e do futuro da própria produção agropecuária. O Brasil não precisa escolher entre produzir e preservar. Precisa escolher entre um projeto de país e um projeto de saque.

Nilto Tatto é Deputado Feral(PT-SP) , Membro da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados e Presidente da Frente Parlamentar do Meio Ambiente
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