Fonte/Créditos CNN
Alunas de Bauru divulgaram gravação no “close friends” do Instagram; publicação foi compartilhada por amigos em outra plataforma e viralizou:
No vídeo, uma das estudantes ironiza: “Gente, quiz do dia: como ‘desmatricula’ um colega de sala?”. Logo na sequência, outra jovem responde: “Mano, ela tem 40 anos já. Era para estar aposentada”. “Realmente”, concorda a terceira fazendo uma cara de deboche.
https://www.youtube.com/watch?v=DmQ3NtKG3GU
Universitárias debocham de mulher de 40 anos na Unisagrado, em Bauru (SP); veja vídeo
As imagens foram postadas no Instagram como “close friends” – quando apenas pessoas escolhidas podem acessar o conteúdo. No entanto, o vídeo acabou se tornando público.
As imagens foram compartilhadas no Twitter, na sexta-feira (10), e já têm mais de 3 milhões de visualizações. O vídeo foi gravado por uma universitária do curso de biomedicina enquanto conversava com amigas.
De forma irônica, ela pergunta: “Como se ‘desmatricula’ uma colega de sala?”. Em seguida, uma das amigas responde: “[ela] tem 40 anos, né? Era para estar aposentada”.
”Gente, 40 anos não pode mais fazer faculdade. Não sabe nem ver o Google”, afirma ainda a universitária responsável pela gravação.
Após a postagem viralizar, a universidade particular postou uma nota nas redes sociais na qual diz que não compactua com nenhum tipo de discriminação, além de defender a educação.
Com a grande repercussão do caso, a Unisagrado divulgou nota de apoio a estudante ofendida: “Para começarmos esta conversa, deixamos claro que não compactuamos com qualquer tipo de discriminação. Completando… defendemos uma causa: A EDUCAÇÃO. Na verdade, somos a causa. Acreditamos que todos devem ter acesso à educação de qualidade, desde pequenos até quando cada um quiser, porque educação é isso: autonomia. Isso tudo faz sentido para nós”.
Uma sobrinha da estudante de 40 anos também usou as redes sociais para manifestar sua indignação. “Minha tia sempre batalhou trabalhando sem parar desde pequena com as irmãs para ajudar a minha avó e a cuidar dela. Ela sempre teve o sonho de estudar e nunca teve a oportunidade. Hoje, ela conseguiu entrar em um curso que ela sempre quis e estava muito feliz e animada para começar as aulas, e daí surge três meninas escrotas, que só vivem na própria bolha, gravando vídeo zombando pela tia ser a mais velha da turma”, lamentou.
Colegas fazem homenagem
Após a repercussão, a aluna foi recebida na universidade com flores pelos colegas de curso. O momento foi divulgado no perfil da sobrinha que comemorou: “Obrigada pelo carinho”.
A publicação tem diversos comentário de apoio. “Nós do 4° ano de biomedicina repudiamos toda e qualquer falta de respeito e preconceito. Ficamos muito felizes em saber que em breve teremos uma colega de profissão tão espetacular como você Paty, conte com nosso apoio sempre”, escreveu uma colega de curso.
“Que venham muitas coisas boas na vida dela”, vai planeta, publicou outro.
O que é etarismo?
Alguém já te falou que devido à sua idade você não pode ou não é capaz de realizar uma determinada tarefa? Essa atitude é uma das bases do etarismo, preconceito que afeta principalmente as pessoas idosas.
Segundo um levantamento da Organização da Saúde (OMS) feito na Europa um a cada dois indivíduos cometem o ageismo (outro nome para a mesma discriminação)
Aqui no Brasil, por exemplo, 16,% da população acima de 50 anos relatou que já foi vítima de alguma intolerância relacionada ao seu processo de envelhecimento.
Enquanto isso, segundo a pesquisa Idosos no Brasil feita pelo Sesc São Paulo e Fundação Perseu Abramo, que contou com a opinião de 4.144 brasileiros, 81% dos entrevistados (sendo 2,3 mil deles acima dos 60 anos) indica que o etarismo é sim uma realidade no País, infelizmente.
O preconceito etário está intrínseco em nossa sociedade, assim como diversos outros. É necessário, portanto, aprender mais a respeito para o conhecimento ser uma forma de combate.
A discriminação por idade existe?
Segundo os dados apresentados, é possível afirmar que sim. E é interessante trazer essa discussão para o cotidiano. Veja a lista de situações abaixo e reflita se você ou pessoas próximas já passaram por alguma delas:
- demissão após atingir determinada idade;
- não ser promovido por ser velho demais;
- ter a sua aposentadoria incentivada;
- não poder ser matriculado em uma atividade física exclusivamente em virtude da faixa etária;
- sentir-se ridicularizado por não conseguir se adaptar às novas tecnologias;
- ser alvo de piadas a respeito da idade.
Esses são apenas aluns exemplos. A essência do etarismo é a concepção de que após certa idade uma pessoa não consegue e/ou não é capaz de aprender ou exercer novas atividades ou funções, seja no âmbito profissional ou pessoal.
Por essa ótica preconceituosa acredita-se que pessoas de mais idade perdem a capacidade de viver por si mesmas, trabalhar e fazer ações básicas do dia a dia.
Como o etarismo impacta a saúde?
Ser alvo de rejeição por estar em uma etapa natural da vida já indica o quanto essa intolerância pode ser prejudicial de diversas formas.
Essa repulsa, associada à necessidade de corresponder a um padrão de envelhecimento e aos casos de comentários maldosos sobre a idade, pode afetar a saúde mental de forma permanente, causando ansiedade e depressão em alguns casos.
Outros impactos na qualidade de vida também podem ser notados, inclusive no quesito financeiro. Um exemplo disso é o valor de muitas aposentadorias que não é digno o suficiente para garantir qualidade de vida adequada.
O que fazer para combatê-lo?
Todas as pessoas precisam estar atentas às situações, mesmo aquelas mais sutis, que promovem o preconceito etário.
Mas como agir?
Pessoas jovens devem colaborar no processo de conscientização sobre esse tema e entender quais comentários e ações são discriminatórios para, assim, serem evitados.
A disseminação de informações úteis sobre o etarismo é uma ferramenta para isso, uma vez que pode promover discussões buscando ouvir o que pessoas com mais idade têm a dizer sobre como se sentem para estabelecimento de uma nova relação e do respeito.
Veja, por exemplo, algumas falas que devem ser evitadas no dia a dia:
- “você até que está bem para a sua idade”;
- “alguém na sua idade já não consegue mais fazer isso”;
- “você não aparenta a idade que tem”;
- “só velho faz isso”;
- “essa roupa já não é para você”;
- “esse esquecimento é da idade”;
- “você está querendo ser mocinha/garotão”;
- “ele/ela não entende dessas coisas, já está velho(a)”.
Pessoas de mais idade
Pessoas com mais idade devem lembrar-se de que o etarismo não deve ser normalizado. Por isso, não há motivo de vergonha em iniciar diálogos sobre esse assunto com pessoas de confiança.
Por outro lado, a discriminação etária é crime e deve ser tratada tão seriamente quanto qualquer outro preconceito, inclusive por meios legais.
Para curar das feridas deixadas pelo etarismo
O preconceito magoa, entristece e afeta o estado psicológico. Procurar ajuda de profissionais de saúde mental, como psicólogos e psiquiatras, podem auxiliar neste momento.
Etarismo é crime!
O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003), inclusive, esclarece que é crime “discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade”.
REFERENCIAS de pesquisa: Organização da Saúde (OMS)
REFERENCIAS de pesquisa Idosos no Brasil feita pelo Sesc São Paulo e Fundação Perseu Abramo
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