Imagem Reprodução/Internet
Na manhã desta segunda-feira (27/03) nos deparamos com mais um episodio triste, uma professora de 71 anos morre esfaqueada por aluno em escola de SP e outros três professores e dois alunos ficaram feridos.
Atribui-se ao fato de ocorrer muitos episódios de bullying, mas afinal de quem é a responsabilidade?
Muito tem se falado sobre bullying no ambiente escolar no Brasil. Trata-se de um problema mundial, e não apenas de nossa sociedade. Felizmente, já existem atividades antibullying em nosso país. Em alguns pontos evoluímos muito, mas, em vários, a situação ainda deixa a desejar e aparenta poucas mudanças.
O bullying corresponde à prática de atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, cometidos por um ou mais agressores contra uma determinada vítima.
Segundo Lélio Braga Calhau, Promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, “O bullying é um comportamento apreendido e se trata de um tipo de violência, que está dentro de um contexto social maior, que afeta as relações pessoais no trabalho, na igreja, nos clubes, em artigo para a EcoDebate.
Afirma ainda que “nesse sentido, a escola ganha ainda mais destaque, por reunir uma série de crianças e adolescentes, que estão em fase de formação de seu caráter e personalidade. Não há fórmulas prontas para atacar o problema e ele não deve ser abordado com uma questão unicamente da escola.
Na prevenção, é visível que o assunto ganhou mais repercussão e é mais divulgado nas escolas, através de palestras, campanhas, e várias outras ações. No controle, ainda não temos resultados consistentes, pois a maioria das atividades antibullying contam mais com a dedicação individual e o esforço pessoal de educadores, promotores de justiça, psicólogos, entre outros, do que em esforços concentrados de uma política pública.
No campo da repressão, surgiram mais ações na Justiça, mas ainda com muitas absolvições por falta de provas. No entanto, condenações judiciais contra pais e escolas já começam a surgir com mais frequência. A Lei Federal 13.663/18 (artigos 12, incisos IX e X), sancionada há poucas semanas, inclui o dever das escolas em combater o bullying na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A meu ver, esse é um novo e importante elemento que incrementa, e muito, a responsabilidade civil das escolas em prevenir e controlar os casos de bullying escolar no Brasil.
Envolver os alunos, professores, funcionários administrativos, as famílias e a comunidade local é de suma importância para que resultados consistentes ao longo do tempo possam ser alcançados e mantidos. Mais do que nunca, chegou o momento de ações efetivas serem adotadas para controlar o bullying e o cyberbullying escolar. Caso isso não aconteça, o ambiente dos alunos e a escola será comprometido com ações judiciais dispendiosas em um futuro próximo.
A resposta para o bullying deve ser construída com o diálogo de todos. Não é um problema somente dos pais, nem unicamente das escolas, mas faz parte de um problema maior que a violência social. Tentar controlá-lo, juntamente com a indisciplina e a incivilidade, apenas com ameaças de punições não vai resolver. Desenvolver atitudes de democracia, valorização das amizades, respeito ao próximo, aos familiares e as regras, contribuirá para o desenvolvimento de cidadãos que farão a diferença na comunidade em que estiverem inseridos. A palavra central é mediação!.”
E qual é o o papel dos pais na educação escolar dos filhos?
Pais não podem simplesmente transferir a responsabilidade de educar seus filhos para as unidades escolares, responsabilidade de educar não é somente das instituições de ensino, o hábito de estudar engrandece a visão de mundo do ser humano e quanto antes começar melhor. A responsabilidade disso é da família, que tem um papel fundamental na criação e no desenvolvimento de caráter de seus filhos no âmbito social, seja na escola ou em qualquer outro lugar. Para as crianças, ter os pais acompanhando e incentivando os estudos é estimulante e garante maior autoconfiança.
Cabe aos país a transmitir hábitos saudáveis, princípios de respeito ao outro, respeitando as diferenças de cada um, além de criar laços fortes e duradouros com seus filhos. No entanto, é importante que os pais saibam como ser complementares na educação escolar, fornecida pelas unidades escolares formais.
Todo sabem, mas é preciso nunca esquecer : a educação vem de casa. Bons exemplos são referências para as novas gerações, portanto é preciso sempre prestar atenção quando os filhos estão por perto, porque além da educação de vida e convivência que é dada em casa, é obrigação legal dos pais proverem ensino formal para as crianças em idade escolar, direito garantido pela constituição. No entanto, a educação recebida em casa é que vai começar a criança, o adolescente moldar o cidadão, estudante e profissional do futuro, e este tipo de educação que forma o caráter do estudante não é responsabilidade do professor.
Não se pode negar o valor do acompanhamento dos pais nos estudos das crianças e adolescentes. Além de ser uma forma de estreitar os laços familiares, é um momento de troca, onde os pais também aprendem com seus filhos.
Criar uma rotina de estudos e ajudar o estudante a cumpri-la é uma demonstração de amor. Quando menores, as crianças precisam do apoio parental para conseguir entrar no ritmo dos estudos, das tarefas de casa e na rotina de responsabilidades com a casa, porém ninguém constrói valores sem praticá-los. Só o discurso e o sermão não são suficientes. Além disso, a postura do adulto é referência e tem que estar de acordo com o que se defende.
Quanto aos filhos adolescentes, os pais precisam apoiar e ajudar de todas as formas para que o aluno consiga absorver tudo o que foi aprendido e ainda consiga se aliviar da pressão de conseguir uma vaga em uma excelente faculdade, mas acima de tudo é preciso orientar esses adolescentes o senso de responsabilidade, autonomia, altruísmo e gratidão que são algumas noções fundamentais para garantir que seus filhos saibam se colocar no futuro que os espera de maneira que aprendam a viver em sociedade com suas diversidades.
Muito se repete que as pessoas se preocupam demais em deixar um mundo melhor para os filhos e se esquecem de deixar filhos melhores para o mundo, porque afinal, quem construirá uma sociedade melhor, serão justamente as nossas crianças esses construtores. Para que cumpram bem a função, cabe a nós ensinar a elas princípios como responsabilidade, capacidade de se colocar no lugar do outro.
Embora, espera-se que a escola passe as crianças apenas competências técnicas, enquanto a família fica com os valores e as questões de afetividade, mas cada vez mais, pai e mãe têm que trabalhar muito para dar garantir a sobrevivência da família, e seus filhos acabam ficando grande parte do tempo na escola.
É preciso ensinar a criança, ao adolescente, ao jovem a se colocar no lugar do outro.
Vivemos em um mundo cada vez mais individualista, em que mal sabemos quem é nosso vizinho, muito menos por quais dificuldades ele passa , assim, é muito mais fácil reclamar dele por qualquer coisa que nos aborreça, ao invés do que oferecer ajuda, cogitando se ele está enfrentando algum problema. Nós nos restringimos ao nosso universo (que pode se limitar à tela do celular), não vemos mais nada do que acontece ao nosso lado. Se nós, adultos, somos assim, como cobrar das crianças que aprendam a notar o que está em volta e, mais, colocar-se no lugar do amigo? Como mostrar que ninguém é pior por ter tido uma dificuldade em português ou ter errado o gol no jogo de futebol? E que pode, sim, ficar chateado ao ouvir os colegas rindo de suas falhas? Os jovens de hoje são muito autocentrados. Eles pensam apenas no que diz respeito a eles e seus amigos ou familiares.
Para se colocar no lugar do outro, é preciso se exercitar. E a escola deve criar situações para que o aluno pense nisso. Por exemplo, assembleias para discussão de questões do grupo, reuniões para construção de regras de convivência e trabalho comunitário. Ouvindo os colegas, fica mais fácil entender que o outro é diferente e tem necessidades que também precisam ser atendidas. Ter empatia é perceber as intenções do outro, se ele está feliz ou sofrendo, se aquela sua atitude vai prejudicá-lo ou não e isso é fundamental na vida.
No geral , transmitir um conteúdo técnico, como uma regra de gramática ou uma fórmula de matemática, é até mais simples do que lidar com as fragilidades emocionais e sociais. Tanto as dos adultos como as das crianças. Nada mais natural, portanto, que os pais, com cada vez menos tempo para dedicar à família, negligenciem essa área, formando crianças menos preparadas a administrar seus medos, suas expectativas e frustrações, grande parte deles nunca dialogou com os filhos sobre suas emoções.
Os pais, com pouco tempo (e muita culpa), atolam as crianças com presentes e tudo que elas desejam. Os filhos, por seu lado, exigem cada vez mais. No passado, os pais erravam sendo autoritários. Atualmente, erram sendo permissivos e ausentes. Se antes diziam ‘não’ constantemente, agora, com raras exceções, se deixam explorar por filhos bombardeados por uma indústria que estimula o consumo desenfreado. Por isso, é urgente ensinar às crianças e aos adolescentes a importância da gratidão. Do ato de olhar no olho do convidado que chega para a festinha de aniversário e, no lugar de já ir perguntando “Trouxe o que de presente?”, agradecer pela presença, pelo abraço e, por fim, pelo pacote que ele oferece e seja o que for que tiver dentro, pois demonstra que ele pensou em você. Não basta apenas um “obrigado” educado, é preciso ter um sentimento sincero.
Vivemos num mundo em que tudo é tão rápido e descartável que os jovens nem vivem a expectativa do desejo, são atendidos imediatamente. Por isso, esquecem o sentimento de gratidão. Para construí-la, é preciso retomar lá de trás as tais palavrinhas mágicas ensinadas aos menores (por favor e obrigado). Não há caminhos que não a prática e o exemplo, o próprio professor tem que estar atento para agradecer quando um aluno pega sua caneta do chão. O estímulo continua na proposta de trabalho em dupla ou em grupo, momento em que o aluno pode perceber a utilidade do auxílio prestado pelo amigo e ficar sinceramente grato a ele.
Quanto as escolas é preciso criar dinâmicas para facilitar esses cuidados, criar propostas de atividades que facilitam as percepções emocionais. O professor deve cultivar um ambiente em que o aluno sinta-se que está sendo entendido e consegue ver uma saída para as próprias frustrações. Mas para que o processo seja sedimentado é importante que a troca entre a escola e os pais se mantenha constante, por meio de reuniões e até grupos de estudo. Portanto, mais do que nunca, a tarefa precisa ser conjunta entre pais e escola, para quem sabe, no futuro não vejamos mais estas tristes tragédias como essa que aconteceu hoje.
Artigo de Ana Fidélis Miasso
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