A divulgação do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira) mostra claramente o que tenho dito, assim como a APEOESP e demais entidades e movimentos de defesa da Educação: Tarcísio de Freitas é inimigo da Educação!
A reportagem da Folha de S. Paulo publicada 5 de agosto é taxativa: “Estagnado, ensino médio de SP cai da 8ª para a 11ª posição no Ideb 2025”. Trata-se do estado mais rico da federação, aquele que tem maior rede de ensino do país e cujo governo vem apregoando que suas “inovações”, políticas impostas de cima para baixo e gestão autoritária trariam resultados espetaculares na qualidade do ensino. Ao mesmo tempo, os dados gerais do IDEB mostram melhora nos resultados da educação básica no país.
Os resultados do IDEB não podem ser dissociados das políticas educacionais do governo Tarcísio; eles são os resultados esperados e lógicos dessas políticas. Não se pode esperar melhoria expressiva da aprendizagem escolar com corte de verbas, plataformização, autoritarismo e assédio moral, desvalorização e perseguição aos profissionais da Educação, militarização e privatização de escolas. Com a imposição de um modelo de ensino integral que não dialoga com as comunidades e não corresponde às necessidades dos estudantes – ao contrário, exclui os estudantes trabalhadores e os priva até mesmo a opção pelo ensino noturno e pela Educação de Jovens e Adultos. Ou seja, esse jovem não consegue estudar na idade própria nem mais tarde. Dupla exclusão.
Entre 2025 e 2026, o Estado de São Paulo perdeu 251 mil estudantes do ensino médio, uma evasão 2,5 vezes a média nacional. Uma verdadeira tragédia.
Estamos diante de grandes desafios para recuperar a educação básica no Estado de São Paulo. O desafio de recompor as verbas orçamentárias que foram reduzidas de 30% para 25%, uma perda de R$ 11 bilhões, em valores atuais. O desafio de valorizar os profissionais da Educação, que em sua maioria não recebem o piso nacional, a não ser na forma de abono complementar ou gratificação. O desafio de assegurar Educação inclusiva de fato para dezenas de milhares de estudantes com deficiência ou atípicos. Também o desafio de construir um Sistema Estadual de Educação e um Plano Estadual de Educação democrático e emancipador, que vá além das imposições do gabinete do secretário da Educação. E tantos outros desafios para que possamos ter ensino de qualidade que corresponda às necessidades dos estudantes e do próprio Estado.
Também no ensino superior a política de desmonte de Tarcísio de Freitas provoca estragos. A Universidade de São Paulo (USP), que ainda mantém seu posto de melhor universidade do Brasil, no entanto registrou nova queda no QS World University Rankings 2027, caindo para a 133ª posição geral. Assim, portanto, a USP continua fora do grupo das cem melhores do mundo, reflexo de retrações consecutivas em indicadores de pesquisa e competitividade global, quando, em 2024, ocupou a 85 posição neste mesmo ranking, registrando sua melhor marca histórica.
Não é somente na Educação que o Estado de São Paulo está estagnado ou caminha para trás. Considerando que todas as coisas estão relacionadas e articuladas, o descaso com a Educação pública cobra um preço também na economia. Hoje a economia do nosso estado cresce a uma taxa de 0,4%, enquanto a expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2026 é da ordem de 2%.
Para qualquer área que se olhe, temos problemas graves a superar. Estamos, por exemplo, vivenciando um clima de total insegurança nas grandes cidades e mesmo em algumas cidades menores do interior. A Capital, por exemplo, aparece com a terceiro maior índice de roubo e furto de aparelhos celulares, muitas vezes com uso de armas de fogo ou perigo de violência contra as vítimas.
São Paulo precisa de mudança urgente. A Educação paulista pede socorro.
Professora Bebel é Deputada Estadual e Primeira Presidenta – licenciada – da APEOESP
PUBLICIDADE:

CONTATO: (14) 92004-7515 e (14) 92004-7517





























































Comente este post