O dia 4 de outubro tem excepcional importância para o futuro do Brasil. Neste domingo, cada cidadã e cidadão brasileiro é chamado a definir o que deseja para o nosso país. Portanto, não será uma participação passiva, o exercício formal do direito de votar, mas muito mais do que isso, precisa ser um gesto direto, uma atitude consciente e transformadora diante da urna eletrônica.
Trata-se, fundamentalmente, de realizar um diagnóstico vivo do momento socioeconômico e das prioridades do país e, frente a esse diagnóstico, escolher o governo federal que comandará a nação pelos próximos quatro anos, o governo estadual que poderá ou não corrigir os rumos do nosso estado e nossos representantes no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa, como atores importantes para conduzir o Estado brasileiro, em suas diversas esferas, de acordo com a vontade do povo ou, lamentavelmente, como muitas vezes ocorre, contra ela.
Nas semanas e meses que antecedem a votação, o debate público transborda pelas ruas, pelas mídias e pelas conversas cotidianas. Questões cruciais — desde a gestão da saúde pública e a qualidade da educação até o desenvolvimento sustentável, o controle fiscal e o equilíbrio entre os Poderes — vieram à tona de forma consistente, porém permeadas por uma verdadeira indústria de falsas informações, que têm contaminado a política brasileira desde a ascensão da extrema-direita no nosso país. Buscar informações verdadeiras, em fontes confiáveis, é uma obrigação cidadã.
Quando o cidadão e a cidadã comparecerem à sua seção eleitoral em 4 de outubro, levará consigo a soma de suas experiências diárias. O voto reflete as angústias de quem busca melhores condições de trabalho, a esperança de quem almeja serviços públicos mais eficientes e a visão de quem defende determinados projetos morais, sociais e econômicos. Por isso, cada sufrágio depositado é um tijolo na construção da arquitetura institucional e social que regerá os anos seguintes. Reflita com cuidado sobre aqueles candidatos e candidatas cuja trajetória, projetos, compromissos e lutas correspondem àquilo que corresponde a suas ideias e a seus anseios.
Votar exige mais do que simpatia por uma figura política; exige informação, análise e discernimento. Seu voto precisa ser coerente, escolhendo parlamentares que poderão contribuir para a concretização do programa de governo que será aplicado pelos seus candidatos ao poder executivo. Eleger parlamentares progressistas tem a mesma importância de eleger governantes progressistas, para que nosso país possa continuar trilhando o caminho do desenvolvimento com justiça social.
É preciso avaliar o histórico de atuação dos candidatos, suas alianças e o alinhamento com os compromissos assumidos no processo eleitoral, observando a diferença entre promessas eleitorais genéricas e planos de governo e propostas bem fundamentados.
No ambiente atual, onde o fluxo de dados é contínuo e por vezes saturado por desinformação e conteúdos sintéticos, o papel do eleitor torna-se ainda mais decisivo. Verificar a veracidade das informações e buscar fontes idôneas transformaram-se em etapas essenciais do próprio ato de exercer a cidadania de forma plena e autônoma.
O Brasil possui um sistema de votação de grande eficiência e confiabilidade, reconhecido internacionalmente. É preciso defendê-lo de acusações levianas, que buscam apenas tumultuar o processo eleitoral em nome de interesses escusos. O compromisso democrático não se encerra com o fechamento das urnas. É necessário garantir o respeito ao resultado da vontade popular, a posse dos governantes eleitos e defender a democracia contra toda e qualquer ameaça. Não aceitaremos de forma alguma qualquer tentativa de golpe como vivemos em 8 de janeiro de 2023.
Professora Bebel é Deputada Estadual – PT e Primeira Presidenta licenciada da APEOESP
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