Ao ocupar a tribuna de Nova York, na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferiu um dos discursos mais severos e incisivos de seus quatro mandatos à frente da Presidência do Brasil. Marcado pela proximidade das eleições presidenciais brasileiras e por um cenário internacional atritado, o pronunciamento uniu a denúncia da falência do multilateralismo à firme defesa da autonomia nacional.
O tom inicial da intervenção do nosso presidente foi a indignação diante da ineficácia das instituições multilaterais. Ao recordar sua primeira passagem pela tribuna. em 2003, Lula classificou o momento atual como o mais crítico da história da ONU. Argumentou que a organização falha em sua missão precípua de deter conflitos armados e proteger populações vulneráveis, citando diretamente o seio congelado do Conselho de Segurança e a proliferação da guerra na Europa e no Oriente Médio como sintomas de uma falência diplomática.
Mais uma vez, Lula condenou o genocídio na Palestina, sem deixar de criticar todos aqueles que colocam obstáculos para a paz e a chamada solução de dois Estados (Israel e Palestina), decidida pela ONU em 1948 e jamais efetivada.
O eixo central do discurso, porém, esteve ancorado na soberania e no repúdio a ingerências geopolíticas ou navais de grandes potências. Resumida no axioma, “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, a fala rebateu as pressões do governo do presidente estadunidense Donald Trump e sinalizou que a democracia brasileira é patrimônio exclusivo do seu povo. Ao abordar a segurança pública e o combate às facções criminosas — uma das preocupações centrais da população brasileira —, o presidente rechaçou propostas de tutela estrangeira nas águas territoriais e defendeu que o combate ao crime organizado deve focar na cooperação contra o fluxo ilegal de capitais e armamentos.
É preciso lembrar, a propósito, que o presidente Lula vem tomando fortes medidas, no que compete ao governo federal, para combater e desmantelar o crime organizado, mas essas iniciativas, como a PEC da Segurança, que tramita no Congresso Nacional, enfrenta boicote da extrema-direita, que é liderada, neste caso, por governadores como Tarcísio de Freitas, de São Paulo.
No pilar socioambiental, a intervenção destacou a transição ecológica e os resultados obtidos com o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado após a COP30 em Belém. Ao celebrar a queda acentuada do desmatamento na Amazônia aos menores níveis da década, Lula atacou práticas protecionistas maquiadas de preocupação ambiental e criticou retrocessos e o avanço do negacionismo climático.
O pronunciamento conectou a defesa de soluções públicas e inclusivas — como o combate à indústria desregulada de apostas virtuais (bets) e a taxação de super-ricos — a um apelo pelo fortalecimento do Estado democrático no Sul Global. As Bets estão efetivamente destruindo milhares de famílias brasileiras, por meio de uma verdadeira indústria de apostas, enquanto lucram bilhões. O governo Lula está em vias de tomar medidas drásticas para impedir a atuação dessas empresas no país.
Assim, a passagem de Lula pela ONU em 2026 reafirmou uma diplomacia altiva que posiciona o Brasil não apenas como um observador do cenário global, mas como uma voz autônoma e resistente a pressões externas. A postura do nosso presidente é uma demonstração cabal de que o verdadeiro patriotismo não se dá por meio de meras declarações, enquanto as mesmas pessoas que se dizem patriotas tentam negociar nossas riquezas com potências estrangeiras em prejuízo dos interesses nacionais. Mais uma vez Lula mostrou que a diplomacia brasileira é ativa e altiva e que nosso país não se acovardará diante de ameaças, venham de onde vierem.
Professora Bebel é Deputada Estadual e Primeira Presidenta – licenciada – da APEOESP
PUBLICIDADE:






























































Comente este post