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17 de setembro de 2021

Pessoas que tentaram suicídios relatam maus tratos sofridos por profissionais de saúde

O sofrimento da pessoa que tenta suicídio é tão grande que fica insuportável. Então, o sentimento, é que é mais fácil morrer do que buscar ajuda.

Setembro Amarelo é o mês (de 1 a 30 de setembro) dedicado à prevenção do suicídio. Trata-se de uma campanha, que teve início no Brasil em 2015, e que visa conscientizar as pessoas sobre o suicídio, bem como evitar o seu acontecimento, um assunto envolto em tabus e preconceitos. 

Segundo reportagem da Coluna Universa do UOL, foram ouvidos diversos relatos de pacientes que tentaram suicídio, sofreram maus tratos no atendimento de emergência de hospitais, nas redes sociais e em conversas com profissionais da área, também não é difícil se deparar com depoimentos como esses. “”Atendi uma paciente que, durante o procedimento de alta, uma enfermeira disse que, da próxima vez, podia procurá-la, pois ela arrumaria um medicamento que seria ‘tiro e queda’ para se matar”.

 “Sabe o que você faz quando ficar nervosinha assim? Vai pescar”. O “conselho” não foi dado por um parente sem noção, mas, sim, por um médico da área de emergência de um hospital público da zona leste de São Paulo. A “costureira Suzane Barbosa, 32, teve que ouvir isso após ter tentado suicídio por ingestão de medicamentos, em 2019”.

“Quando entrei na sala do hospital, já ouvi de imediato a enfermeira: ‘bem agora que estava acabando meu turno! ‘. Ela mal olhou na minha cara, perguntou o que eu tinha tomado e falou que ia fazer a lavagem estomacal. Eu fiquei assustada e falei que não queria. Então, ela perguntou: ‘você realmente tomou alguma coisa ou está fazendo isso só para chamar a atenção?”.

“Durante o procedimento, Barbosa ficou duas horas na sala com muito fria e sozinha, ainda ouviu a enfermeira falando novamente que ela só queria chamar atenção. “Não aguentei, puxei a sonda e tirei a agulha do braço. Esguichou muito sangue e minha mãe teve que colocar um agasalho para estancar”. Barbosa “foi levada para uma maca no corredor e só saiu do hospital depois de passar pelo médico que a mandou ir pescar.”

Em Curitiba, Vanessa*, 24, passou por situação semelhante. Após a ingestão de remédios, foi parar no hospital e o “inferno começou”. “Duas enfermeiras pediram para minha mãe se retirar porque, segundo elas, ‘a coisa ia ficar feia’ e começaram o procedimento de lavagem. Elas forçaram a sonda no meu nariz enquanto debochavam: ‘olha só, acabei de descobrir que você tem desvio de septo’; ‘isso que dá fazer merda, agora aguenta’ e empurravam a sonda cada vez mais. Eu via o sangue escorrendo e o olhar de desprezo daquelas mulheres. Por fim, ouvi, entre gritos, que a sonda precisava ser engolida ‘igual aos comprimidos que eu tomei”.

Vanessa ficou suja de sangue, sentindo o gosto de plástico na boca e com um novo trauma. “Me senti humilhada e violentada por profissionais que, por algum motivo, queriam me fazer sofrer”. Quando recebeu alta, uma delas ainda disse “que bom que você está bem. Pela quantidade de remédios que tomou, não vai ter dor de cabeça ou uma infecção tão cedo”.

*Os nomes são fictícios para preservar identidade.

Esses são apenas alguns dos relatos. Há um julgamento e uma dificuldade de compreender os motivos do paciente.

Por que um profissional da saúde age dessa forma?

No artigo da professora do Departamento de Medicina Preventiva da USP (Universidade de São Paulo) Rosana Machin discute a influência do “modelo de inteligibilidade da doença” presente na formação dos profissionais de saúde , que, baseado na idéia do corpo como lugar privilegiado do cuidado, e a doença como um evento de caráter acidental, prepara para salvar vidas. Dessa forma, as situações de lesões autoprovocadas, que inclui aborto e alcoolismo, por exemplo, e são considerados eventos carregados de intencionalidade, resultantes de uma escolha, o que não gera a identificação de seus autores como doentes ou vítimas.

Segundo Machin, há um julgamento e uma dificuldade de compreender os motivos de a pessoa não querer viver. “Eles estão lá para ajudar uma pessoa que sofreu um acidente ou um tipo de violência. Dessa forma, quem promove uma lesão autoprovocada é visto como alguém que está criando um problema. Essa distinção continua muito presente na formação da área da saúde e borra o atendimento de emergência”, afirma.

Como um profissional de saúde deve abordar um paciente que tentou suicídio?

A abordagem ao paciente em risco de suicídio pode ser resumida em 05 passos iniciais.

O primeiro é saber ouvir o paciente e entender suas motivações subjacentes, pois muitas vezes o que leva o paciente a atenção primária são queixas somáticas.

Já o segundo passo é a escuta clínica e o bom julgamento clínico, pois todo paciente que fala sobre suicídio tem risco em potencial e merece investigação e atenção especial.

O terceiro passo corresponde ao manejo e é importante frisar que a abordagem verbal pode ser tão ou mais importante que a medicação.

No quarto passo,  deve-se identificar e tratar transtornos psiquiátricos presentes.

Por fim, o quinto passo condiz com a investigação se aquele paciente tem risco de suicídio.

É importante que familiares e profissionais de saúde estejam atentos a manifestação de alguns sinais que possam ser indicativos de que esse paciente possa está correndo risco de suicídio. A integralidade na assistência é ponto fundamental para identificar possíveis sofrimentos psíquicos.         

A presença de um psicólogo ou psiquiatra nos atendimentos de urgência para realizar a ponte entre o paciente e a equipe é muito importante e necessário. Porém, nem sempre isso é possível. É necessário capacitar os profissionais para entender o motivo que leva a pessoa tentar suicídio.

O sofrimento da pessoa que tenta suicídio é tão grande que fica insuportável. Então, o sentimento, é que é mais fácil morrer do que buscar ajuda.

Procure ajuda.

Caso você esteja pensando em cometer suicídio, procure ajuda especializada como o CVV e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

Leia mais acessando o link https://jornaldelins.com.br/categoria/comportamento/sociedade/ 

Autor: Redaçao
Referência: Universa Uol

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