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COMPROMISSO DE VERDADE
23 de novembro de 2017

A realidade da mulher negra no Brasil

Ser mulher negra no Brasil é sempre enfrentar um obstáculo a mais que a mulher branca.

Para se falar de mulher negra no Brasil é necessário voltar ao início do período escravagista, quando homens, mulheres e negros eram submetidos ao trabalho escravo. As mulheres negras enquanto escravas eram consideradas objetos, da mesma maneira que os homens, e usadas para satisfazerem as necessidades e desejos dos seus senhores.

Com o fim da escravidão, muitas das mulheres negras, ex-escravas, continuaram a trabalhar nas casas dos senhores, porém sem os seus direitos regulamentados. Recebiam um salário irrisório, que muitas vezes era o único sustento de suas famílias. Não havia política para aqueles negros que acabavam de ganhar a alforria e essa população foi jogada, descartada nas ruas à própria sorte.

Hoje, vivemos resquícios da escravidão colonial. As mulheres pobres negras trabalham sem direito a descanso, em condições precárias e perigosas em troca de um valor irrisório que mal dá para a sua sobrevivência. A mulher negra vive sob o racismo e o preconceito: “te pago um salário, desde que você permaneça no seu lugar e abaixe a cabeça quando eu passar.”

Só mudar a cultura e os costumes sociais não transforma a estrutura escravagista que perdura na nossa sociedade. É preciso mudar o sistema inteiro, social e econômico, para então conseguir mudar a cultura. A mulher precisa ser valorizada e reconhecida dentro do sistema, o que o capitalismo patriarcal impede. Ela precisa de trabalho digno, salário igualitário, etc.

Ser negra e mulher

Ser mulher negra no Brasil é sempre enfrentar um obstáculo a mais que a mulher branca.

Como fazer faculdade? Sem estrutura, até o entrar na faculdade é uma barreira sem fim. Medicina? Artes? Tem que trabalhar para pagar a faculdade, os materiais, o lanche, as passagens e ainda ser a melhor aluna da sala, para tirar de sobre si aqueles olhares racistas preconceituosos que desde o primeiro dia de aula a rotulavam – negra, pobre, portanto, burra.

No Brasil torna-se negro, reconhece-se negro a cada dia, a cada luta. Luta-se tudo que a mulher branca luta, porém luta-se uma luta a mais em todas as barreiras.

Luta além do racismo

Nascer em um país racista que possui maioria de pessoas negras, considerado o quinto pior do mundo para se nascer mulher, e ter que lidar com ser negra. O ainda ser negra é quando, de acordo com pesquisas no ensino superior a maioria são mulheres são mulheres mas a uma minoria são mulheres negras.

Mulheres brancas tem empregos formais e as negras ainda com salários inferiores. Segundo pesquisas de vítimas de morte por agressão são mulheres negras. A pesquisa ainda mostra que mulheres negras são assediadas na rua, transporte público ou ambiente de trabalho, enquanto uma minoria de mulheres brancas sofrem esse tipo de assédio.

Qualquer mulher que passe por isso jamais sairá ilesa em sua vida social, cultural ou política. Mudar essa realidade só será possível quando olharmos as complexidades da questão de gênero, dentro de uma perspectiva macro, “o sistema capitalista patriarcal”, e seus micros tentáculos, como as questões raciais. O racismo que ainda não foi abolido, quando não mata, extermina e traumatiza grande parte da população negra a cada minuto.

Por: Ana Fidelis Miasso

 

Autor: Ana Fidelis Miasso
Referência: Coluna Espaço Mulher

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