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COMPROMISSO DE VERDADE
30 de dezembro de 2017

Lavouras com florestas têm índices pluviométricos elevados e solos drenados

Propriedades rurais com áreas preservadas podem ser uma fonte de renda importante para o futuro

A lei no 12.651/2012, do Código Florestal, é clara: o produtor rural deve manter em sua propriedade, de qualquer tamanho ou localização, alguns hectares destinados às florestas, a Reserva Legal (RL) e a Área de Proteção Permanente (APP). Não é raro que muitas fazendas não cumpram a exigência e outras tenham excedentes e florestas adicionais plantadas e integradas à produção. “Disseram que meu pai estava louco quando, na década de 1950, ele comprou  terra para criar boi e plantou árvores”, lembra o pecuarista José Luiz Niemeyer dos Santos, dono da Fazenda Terra Boa, campeã do 1° Prêmio Fazenda Sustentável, em 2014. “Hoje, sabemos quanto isso fez diferença na atividade agrícola”, afirma.

José Niemeyer é um dos brasileiros que vivem do campo e investem no plantio de árvores, não somente por princípio ou obrigação, mas por ter percebido que uma floresta plantada na fazenda agrega valor à produção. Com ele, faz coro o gerente da Fazenda Modelo II, campeã do Prêmio Fazenda Sustentável em 2016, Adilson Kazuo Kozama. “A realidade na fazenda mudou depois que investimos em integração lavoura-pecuária-floresta”, conta. “O rebanho ganha peso com facilidade e a madeira produzida é uma atividade econômica complementar de grande valor.”

De acordo com o Instituto Brasileiro de Árvores (Ibá), ambos, além de usufruírem, na prática, dos benefícios das árvores (sombra para o gado, produção de madeira, matéria orgânica, oferta de água), estão cientificamente corretos em crer que as florestas plantadas próximas às áreas produtivas (ou no meio, no caso da integração) podem ajudar a rentabilizar a atividade. “Árvore é uma máquina de chuva”, diz a presidente executiva do Ibá, Elizabeth de Carvalhaes. “Os índices pluviométricos registrados em fazendas que têm remanescentes florestais são mais elevados. Se tivéssemos mais árvores em áreas urbanas, não haveria nem secas nas cidades.”

Evaporador natural

A árvore produz chuva porque age como um evaporador natural. Em áreas cobertas por florestas, 80% das chuvas retornam ao seu ponto de origem, 19,7% à atmosfera e apenas 0,3% são usados pela planta. É o ciclo hidrológico, cujo mecanismo é igual em árvores que nascem espontaneamente e nas plantadas.

Quando o vapor d’água se acumula na atmosfera, provoca a precipitação. Em áreas com florestas, parte da precipitação é interceptada pelas copas e evapora. A água infiltra, passa pelo solo, mantendo-o úmido, e evapora. Outra parte é absorvida pela planta. Parte da água infiltrada flui entre as partículas e espaços vazios dos solos e das rochas e fica armazenada no aquífero. Se a precipitação é maior do que a infiltração, a chuva escoa até rios ou lagos – e, mais uma vez, evapora.

Em uma área degradada, pasto ou grande área sem florestas, isso não ocorre. “As chuvas encharcam o solo e, por este estar impermeável, não é infiltrada. O escoamento superficial aumenta, elevando o nível de rios próximos com grande quantidade de sedimentos”, explica Elizabeth. “Na estiagem, as áreas que estavam encharcadas não alimentam as águas subterrâneas que abastecem o fluxo dos rios, que têm o nível reduzido.”

Fonte de renda

Fábio Marques, da consultoria Plantar Carbon, lembra que a fisiologia da árvore remete a um mercado em crescimento: a economia de baixo carbono. “Radiação, nutrientes e água formam a  biomassa (madeira, folhas, raízes), o que quer dizer carbono estocado”, ressalta. “E o planeta está trabalhando para criar mecanismos de precificação do carbono.”

Esses mecanismos ainda estão sendo definidos em todo o mundo, com avanços nos Estados Unidos, Alemanha, China, África do Sul, Chile e Colômbia. “O comércio de carbono é uma forma de promover um ajuste da economia para que todos os países possam cumprir as metas”, diz. E, nesse contexto, o Brasil – que ainda não possui um mecanismo de precificação – pode ter uma participação essencial. “Temos vantagens competitivas, como clima, terras e tecnologia, e não estamos nem perto de explorar todo  nosso potencial.”

Segundo Fábio Marques, o setor já movimentou US$ 180 bilhões entre 2008 e 2012 e tem potencial para chegar a US$ 1 trilhão nos próximos anos. “O Brasil é um dos poucos países que podem produzir essas florestas. O produtor que as cultiva terá uma excelente fonte de renda no futuro.” De acordo com as estatísticas do Ibá, para atender à demanda global por celulose no ano de 2050, será preciso plantar 250 milhões de hectares de florestas.

 

 

Autor: Redação
Referência: Globo Rural

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