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COMPROMISSO DE VERDADE
23 de novembro de 2017

Estou sozinha e agora?

A experiência de separação só seria emocionalmente mais dolorosa que uma morte de um ente querido

O divórcio, separação, distanciamento amoroso é uma vivência muito única na vida de uma pessoa. É uma quebra de expectativas que coloca em xeque inclusive a nossa capacidade de viver. Sentimos que estamos existencialmente estragados e sem jeito. O fracasso de múltiplas tentativas de reerguer um gigante falido nos exauriram todas as forças físicas, psicológicas, financeiras e já não conseguimos caminhar adequadamente. Estamos cambaleantes na vida e extremamente carentes de apoio, acolhimento e proteção.

A pessoa recém-separada é como um mendigo com chapéu na mão, necessitada de qualquer esmola e nesse momento a única coisa bem vinda são pessoas e situações que tenham uma intenção positiva; portanto evite pessoas tóxicas e que exijam demais de você. Retome os amigos, aqueles que tem coração de pelúcia no peito e não são ácidos e sugadores. Lembre-se, qualquer esforço é agressivo e desnecessário. É como um doente combalido que precisa de um tempo até reerguer todas as forças, pois ainda precisa de cuidados.

Aquela sensação de organização mental dá lugar a um caos sem fim, como se uma música muito alta estourasse nossos tímpanos. A única coisa que queremos é que o som abaixe para retomar a sanidade. Infelizmente muitas pessoas acham que precisam de outra pessoa para abaixar o som. A carência faz com que a pessoa recém-separada se torne frágil e vulnerável e como ela estava enfurnada num relacionamento provavelmente não tem uma rede sólida de apoio que não a família. A família costuma ficar alimentando reações que aumentam a aflição como alguém que saiu do velório e alguém diz “eu sei como você está se sentindo e vai ficar tudo bem”. A pessoa olha desconcertado para aquele comentário desnecessário e não responde por falta de forças, pois a vontade seria dar um soco na cara do consolador incansável. Luto é luto.

A separação é desse tipo de luto que dói a ponto de que um cafuné é interpretado da maneira mais poderosamente revigorante. Um carinho de um amigo soa como um afago diferenciado que pode ser interpretado como algo sentimental.

A probabilidade da pessoa recém-separada de se apaixonar pelo padeiro é alta. Até o pão de cada dia soa interessante num clima emocional de tempo fechado.

Isso quer dizer que a chance de um relacionamento que começa imediatamente depois ou concomitante a uma separação tem grandes chances de ser fruto de desespero do que amor real.

Alguns vão rebater esses argumentos dizendo que a história deles foi diferente. O fato é que alguém que acabou de sair de um velório simbólico não está com plenas capacidades mentais de amar o próximo. Até o coveiro fica charmoso nessa hora.

Os impulsos de generosidade de libido que são tão importantes para a sustentar a qualidade de uma relação estão enfraquecidos. E quando eles surgem é muito mais um surto de resquícios de hábito do que genuínos.

O ponto é que somos bem teimosos e na maioria não respeitamos os sinais óbvios dessa fase difícil e logo nos atiramos em histórias que parecem ser a resposta para nossa aflição. Na maior parte das vezes não é, esta é aquela hora em que se precisa de tempo, de saudade e solidão.

O que se pode dizer para alguém que está recém-separado seria, siga em frente, mas respeite suas pernas cansadas e seu coração exausto.

Por: Ana Fidelis Miasso

 

 

 

Autor: Ana Fidelis Miasso
Referência: Coluna Espaço Mulher

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