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COMPROMISSO DE VERDADE
14 de dezembro de 2017

Devaneios no mundo da magia e da música

“Ela é um espírito inquieto em um vôo sem fim…”
Witchy Woman, Eagles.

Música é arte. Música é harmonia (seja lá o que isso pode significar pra você, qual é o ajuste ou o encaixe de sons perfeito? Que te faz viajar? Que te deixa em êxtase? Ou que te faz sangrar?). Mas, no meu ponto de vista, tem uma palavra que envolve todas essas e faz uma ponte mais forte com o que penso. MÚSICA É CONEXÃO! (e do que trata a magia, se não de conexão?) Basta um play e você pode facilmente se conectar ao seu passado, a sentimentos vividos que podiam estar há muito enterrados (não tão bem enterrados assim, né?). A música é um portal magnífico para dimensões diversas.

Geralmente, quando montamos uma ritualística, usamos estímulos como odores, cores, instrumentos, visualizações, etc. Tudo isso visa criar uma atmosfera suficientemente forte para burlar as barreiras da mente consciente, abrindo portas para outras regiões do nosso cérebro mais aptas para a prática mágica. Aqui, o estímulo musical certo pode mostrar-se um trunfo de grandes proporções, já que a música é registrada pela parte do cérebro estimulada pelas emoções, contornando centros cerebrais que lidam com a razão e a inteligência. Temos aqui então o seguinte fato importante: a música, tal qual uma entidade que não precisa pedir passagem e permissão pra ninguém, tem acesso livre ao cérebro superior (ela não depende das funções superiores do cérebro para adentrar o organismo, pois alcançado o tálamo, acesso livre).

Há um tempo atrás, eu li um livro chamado “Oráculo”, de Catherine Fisher. Existe uma passagem no livro bastante emblemática de como eu penso e sinto a música e de como ela pode nos carregar, de fato, para outros mundos ou mudar radicalmente esse em que estamos. Ela fala de um momento em que um músico, uma espécie de bardo no livro, toca e canta uma canção e como isso parece mudar radicalmente a paisagem ao redor de todos:

“Seus dedos criavam ondas de notas que iam se transformando em música, um som que parecia envolver cada um dos presentes e, de repente, aquele casebre miserável e horrendo se transformou num lugar diferente, uma espécie de refúgio; os rostos dos homens eram mais suaves agora, iluminados pela beleza do que ouviam. Oblek começou a cantar. Sua voz era profunda, ligeiramente rouca, e ele cantou em homenagem à Rainha Chuva, falando das belezas do seu jardim distante, onde fontes de águas limpas e cristalinas brotavam do solo, e lindas flores e árvores frutíferas cresciam por toda parte. De repente, era como se a música tivesse se transformado em suas próprias palavras, tornando-se gotas, riachos e lagos e por um momento teve-se a impressão de que o casebre inteiro estava se dissolvendo em água. Chegou quase a sentir-la molhando seus lábios secos, caindo sobre as folhas verdes, fazendo poças no chão, refrescando o corpo e a alma de todos por ali.”

O quanto você já viajou numa canção? O quão longe já foi, quantas terras distantes visitou? Que deuses, Deus ou deusas, espíritos ou demônios já sussurraram no seu ouvido através da influência poderosa do som?

Nos tempos que vivemos, podemos dizer que música não tem limites. Tem pra tudo que é gosto, e essa musa inspiradora traz “dinheiro, poder e glória” (quase uma musa prostituída, muitas vezes, não?). Mas nem sempre foi tudo tão lindo e florido assim, a música e seus súditos já tiveram seus dias bem sombrios. Segue uma historinha….

Era uma vez:

Desde tempos idos, havia uma mulher estranha e ao mesmo tempo poderosa, chamada música, apesar de ser uma deusa, uma louca e uma feiticeira, ela tinha uma rotina meio enfadonha: ia nos ritos (eles falavam de um Deus, e ela não se dava muito bem com ele, achava ele mandão), visitava os trovadores (como ela gostava deles!), embalava sonos, sonhos e também agitava umas guerras aí (era um misto de medo, horror e adrenalina, mas ela se sentia excitada em andar nesse limiar de vida e morte) . Por muito tempo a música foi muito comportada, nem parecia musa, ninguém deixava ela explorar seus limites, ir além do conhecido e buscar novas zonas de prazer! Sufocavam a coitada com um cinto de castidade. Ela não podia isso, não podia aquilo. Era ordem, ordem, ordem! Ah, dava pra dar uma escapadinha aqui e ali. Mas sempre tinha alguém de olho nela.

Muitas proibições, muitas proibições…. Ora ajoelhava, olhava pros céus…. Depois pegava sua bebida e ia pro meio dos proscritos se entregar pra música secular, profana; deitava na cama no diabo, nessas horas ela era um trítono (combinação chamada de o som do diabo). Sim, a música não aguentava aquela pressão de céu, seja uma boa moça, seja pura, e ela costumava sair escondida, vestida de escarlate, cinta liga e batom cor de sangue. E ela tinha um olhar fatal, tão grande era seu poder de sedução, que alguns bons moços que gostavam de lhe prestar homenagens se empolgavam na criação, e quando iam dividir as novas zonas erógenas que a música lhes mostrou, acabavam virando churrasquinho!

O tempo escorria pelos dedos e a música ganhava cada vez mais adoradores (ela sentia falta das adoradoras, mas vamos contar essa história em outro capítulo). Todos flertavam com ela, deitavam na cama dela e saíam de lá com ideias novas, o que deixava ela cada dia mais famosa!

Ela gostava mais quando a convidavam para festas onde podia manter seu espírito livre, curtia muito umas festas fora da lei. Ela foi ficando cansada de tanta regra, e passou a fazer diferente: quando alguém vinha colocar ordem, ela simplesmente gargalhava e sumia, se dissipava numa nuvem sonora, para o desespero de muitos (ela tinha alguns poderes sim, até disseram que era uma bruxa! Ela gostou da ideia.)

Tempo passa, e ela foi ficando dona do próprio nariz. Ia pra onde queria, cansou de cabresto. Ontem, num dos meus muitos passeios nos mundos oníricos, fui num bar meio diferente e lá dá pra falar com os mortos (que parada, hein? Mas eu precisava de uns conselhos, musicalmente tá foda aqui!). Vi velhos amigos, que ainda falam comigo, através dela, a música, claro: um rapazinho ligeiro, chamado Mozart, flertava aqui e acolá com umas moças jovens, bem galanteador; um cravista apresentava um prelúdio e, no meio do frenesi, ele levantou e saiu, deixou o acorde suspenso, maior tensão… logo Bach foi lá e concluiu tudo, levando a gente de volta pra casa, dando uma tônica na coisa toda.

Beethoven estava num canto, sério e soturno, do nada, gritou: “garçom, traz mais uma dose!” Ele tinha um sorriso triste nos lábios, e estava tentando traduzir uma nova dor de amor numa peça para piano e cello. Ele estava impaciente, e chamou de novo o garçom, que acabou esbarrando e derrubando tudo, coitado. Nos sons de copos de cristal, caindo, sonhos ruindo, o pessoal da música moderna, que já esticou as canelas, esticou também o ouvido e já foi imaginando uma canção tresloucada com violinos e copos de cristal, quebrando, quebrando (padrões, limites, canções). E assim, a festa seguia, e a música, em seu trono de rainha, ouvia palmas e brados: “música nossa musa! tudo pela música, nossa rainha!”

E ela, que nem uma aranha, sua teia tecia, envolvia todos com sonhos, magia e poesia…. e a noite, insana, não andava, corria!

 

 

 

 

 

Autor: Andebodua Duonnocetia
Referência: Specula blog

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