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12 de Fevereiro de 2018

Aquecimento global prejudica esportes e coloca em risco Olimpíadas de Inverno

Estudo da Universidade de Waterloo, no Canadá, mostra que a emissão de gases que aumentam a temperatura da Terra inviabilizariam praticamente todas as sedes olímpicas até 2080

Quando usou a rede social para dizer que adoraria um “bom e velho aquecimento global para resolver a onda de frio nos Estados Unidos”, Donald Trump, homem mais poderoso do mundo, revoltou estudiosos. O presidente americano brincou com um fenômeno que causa o derretimento de geleiras, aumento do nível do mar e impacta também no esporte. PyeongChang recebe a Olimpíada de Inverno e apesar de entregar a competição mais nevada e fria da história, assim como sua antecessora, Sochi, na Rússia, produz neve artificial para garantir que nenhum evento atrase ou corra o risco de ser cancelado. É que a elevação nas temperaturas ao redor do planeta vem diminuindo o período de inverno, inviabilizando áreas antes ideais para a prática de modalidades como snowboard e esqui, e ainda mais: modificando a dinâmica do esporte. Foi o que mostrou a reportagem especial deste domingo do Fantástico.

O século XXI conta com 16 dos 17 anos mais quentes desde que se começou a registrar as temperaturas, em 1880. O dado é preocupante, mas não é de agora que o aquecimento global prejudica os esportes de inverno. Nos últimos 100 anos, os Alpes europeus perderam metade da sua cobertura de neve. Se antes ela caía em abundância, hoje aparece menos e logo se perde com as altas temperaturas. Para manter resorts abertos para turistas e não cancelar torneios profissionais, cerca de 19 mil canhões jorram neve artificial na Europa, resolvendo parcialmente o problema e criando uma solução que no futuro, de acordo com estudos, pode se tornar permanente.

• Sochi foi a Olimpíada mais quente com máxima de até 20ºC

• Lillehammer 1994 teve mínimas de -12ºC

• PyeongChang 2018 já bateu mínima de -19ºC

Em PyeongChang, o frio não é problema. Nem neve. Pelo contrário. O excesso de ambos é o que incomoda. Dias antes do começo da Olimpíada de Inverno, os termômetros registraram -17ºC com sensação térmica de até -27ºC. As baixas temperaturas incomodam inclusive atletas europeus, acostumados com temperaturas negativas, e mostram que o aquecimento global interfere nas duas pontas: calor e frio. Mesmo assim, todas as pistas de esqui ou snowboard foram feitas com neve artificial.

Em 2014, a Universidade de Waterloo, no Canadá, divulgou uma pesquisa relacionando o aquecimento global e a Olimpíada de Inverno. O resultado é alarmante. De acordo com Daniel Scott, que estuda mudanças climáticas, até o fim do século apenas seis das 19 sedes olímpicas de inverno teriam condições de receber os Jogos por conta da elevação nas temperaturas no mundo. Chamonix, palco da primeira edição, em 1924, estaria “condenada” já em 2050 caso as emissões de carbono não diminuam gradativamente. Teriam o mesmo caminho Vancouver, Grenoble, Sochi e Garmisch. Nem locais mais frios escapariam. Até 2080 seriam atingidas as cidades de Nagano, Turim, Innsbruck e Oslo.

– Eu acredito que os esportistas em geral poderiam ser mais engajados e efetivos levando o seu poder, liderança e inspiração para assuntos como o aquecimento global, sendo vozes para o desafio que é fazer essa mudança. De qualquer forma, as Olimpíadas nunca foram o lugar certo para que sejam emitidas mensagens políticas. Para essa Olimpíada, a Coreia Do Sul terá dias mais frios que Sochi e Vancouver, eles não correm riscos. O inverno é a estação mais seca lá, e nove dos últimos 16 tiveram neve natural – explica Daniel Scott, líder do estudo de Waterloo.

Info Aquecimento Global Jogos de Inverno (Foto: Infoesporte, com informações da Universidade de Waterloo)

 

Atleta americano criou o “Athletes for Action”

Antes da Olimpíada de Sochi, também em 2014, o esquiador Andrew Newell, dos Estados Unidos, criou a “Athletes For Action”, que envolve atletas de alto rendimento na briga contra o aquecimento global. Além disso, recentemente, ele lançou um crowfunding para arrecadar verba para trabalhos que, como ele intitula, ajudariam a “proteger o inverno”. A primeira meta era de US$ 20 mil, mas com apoio nas redes sociais ele conseguiu mais que o dobro, chegando aos US$ 50 mil. Para Andy, apaixonado pelo inverno, é frustrante perceber a dificuldade em conscientizar países quanto à necessidade de diminuir a emissão de gases do efeito estufa. Os Estados Unidos, por exemplo, deixaram o “Acordo de Paris”, que estabeleceu obrigações para os países diminuírem o efeito do aquecimento global.

– Temos que educar os atletas sobre as mudanças climáticas e o que eles podem fazer quanto a isso. Estou tão envolvido com isso que sinto que é minha responsabilidade falar sobre esse assunto. Temos uma chance de falar e alertar governantes para que mudem suas cabeças ao redor do mundo. O aquecimento global é uma questão política e também científica – diz Andrew Newell, atleta americano do esqui e fundador da Athletes for Action.

 

Clima impacta calendário e muda esporte

O hóquei no gelo é uma febre no Canadá. Crianças aguardam ansiosamente o inverno para pegarem seus tacos e terem a possibilidade de jogar nas ruas, fugindo dos ginásios cobertos. A prática, porém, está cada dia mais ameaçada. De acordo com o governo canadense, a “temporada” de hóquei outdoor teve sua duração diminuída em 20% na última década. Estudos dizem que até 2090 só será possível jogar hóquei na rua por apenas 28 dias, enquanto hoje são 58 dias. Outros esportes também sofrem. Esqui, snowboard, entre outros, tem em média metade das provas do calendário internacional com a necessidade de produção de neve artificial. A necessidade muda calendários e prejudica tecnicamente o esporte, garante a brasileira Isabel Clark, do snowboard.

– Já vemos que a neve artificial é muito importante para as competições começarem na data prevista. Sem ela, você fica dependendo do tempo, se neva, se não neva. E muitas vezes não neva. Várias temporadas no hemisfério norte, torneios em dezembro, no início da temporada, foram cancelados por falta de neve. Uma secura só. No hemisfério sul também já acontece, com uma temporada super curta por conta das altas temperaturas. No snowdoarder cross, a sede é obrigada a ter uma rede de neve artificial – explica Isabel.

 

Info Olimpíadas de Inverno, aquecimento global (Foto: Infoesporte, com informações da Universidade de Waterloo)

Atualmente, 1.300 metros de altitude é a garantia mágica de boa neve. Mas isso vai subir em 200 ou 300m em 30 anos. Se o aquecimento global não diminuir, em 50 anos só será possível praticar esportes de neve em altitudes acima de 1.800 metros.

– Já estamos acostumadas com a neve artificial. Mas ela é artificial apenas na forma como é produzida. Ela é diferente da neve fresca, da neve úmida, mas é neve. Inclusive, na minha competição, ela é até melhor que a natural, é mais firme. Ela tem um floco mais durinha, fica tudo mais compacto, e precisamos disso, porque todos passam ali. A fresca, mais molinha, acaba prejudicando a pista – garante Isabel.

 

Neve artificial traz problema ambiental

Os esportes de inverno injetam US$ 12 bilhões na economia mundial e empregam diretamente mais de 200 mil pessoas em resorts ao redor do planeta. Os Jogos de Inverno, disputados de quatro em quatro anos, movimentam cifras bilionárias, criam ídolos e claro, necessitam de neve em abundância. O aquecimento global, contudo, dificulta cada vez mais a realização de eventos e a manutenção da temporada esportiva no mundo inteiro. Em 2001, 10% das áreas de esqui usavam neve artifical. Em 2010, esse número subiu para 36%.

 

Construtor usa máquinas para modelar a neve artificial em PyeongChang (Foto: Ricardo Bereicoa)

A Educ Alpes, que estuda o fenômeno, garante que até 2040, a temporada de esqui será reduzida em um mês. Hoje, 19 mil canhões produzem neve artificial na Europa, mas o crescimento na demanda cria um outro problema: ambiental. Para fazer neve é necessário água. Apenas as pistas austríacas gastam de água o suficiente para o abastecimento anual de Viena, que tem 1,7 milhão de habitantes. Para o pesquisador brasileiro Pedro Leite da Silva Dias, da Universidade de São Paulo, o calor não é o único problema.

– Precisamos aprender a conviver com os extremos. Me preocupa muito os países, como os Estados Unidos, que estão minimizando os problemas. Para produzir neve você precisa de energia. Se essa energia for criada por combustível fossil, que é uma fonte comum na Coréia do Sul, a quantidade de carbono que você tem que compensar aumenta brutalmente. Você acaba descompensando ainda mais o ambiente. Se os jogos desse ano ocorressem na costa leste americana, seria extremamente frio, o que poderia complicar a execução do evento. Com o aquecimento global, na media, a temperatura aumenta, mas o que os estudos apontam e o que nós precisamos nos atentar é a variabilidade. No caso de Sochi, tivemos um período extremamente quente, esse ano seria o completo oposto.

Autor: Thierry Gozzer
Referência: Globo Esporte

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